Tentativa de fraude não compromete "lisura" de concurso, diz Polícia Civil
No domingo (11), quatro pessoas foram flagradas tentando fraude provas de concurso em Paulista. Polícia Civil diz que conseguiu identificar "indivíduos buscando aprovação indevida"
Publicado: 12/01/2026 às 16:36
Um cartão de crédito com chip, o ponto eletrônico e o smartwatch usado para fraudar o certame de Paulista (Fotos: Divulgação/PCPE)
De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, a tentativa de fraude no concurso para Guarda Municipal do município de Paulista, no Grande Recife, “não compromete a lisura do certame”. Quatro pessoas foram presas neste domingo (11) por tentativa de fraude em concurso público.
As provas foram realizadas em dois turnos, sendo pela manhã para o cargo da Guarda Civil Municipal e à tarde para o Agente de Trânsito, com oferta de 120 vagas para cada. Segundo a Prefeitura de Paulista, mais de 39 mil candidatos realizaram as provas ontem.
De acordo com a corporação, o que a investigação conseguiu identificar foram “indivíduos que estavam buscando aprovação indevida”, afirma a delegada Catarine Cavalcanti, adjunta do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO).
Liberdade
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, Gerson Agustinho da Silva Pereira, de 47, e José Wellington da Silva Pereira Filho, de 22 anos, foram presos em flagrante por fraude em certame de interesse público e associação criminosa. Nesta segunda-feira (12), o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu liberdade provisória a eles.
De acordo com a corporação, Gerson enviou fotos das provas para um grupo de fora das áreas de prova, que buscou as respostas e repassou para José Wellington e outro candidato. Os três foram autuados por fraude em concurso e organização criminosa.
Suspeitos
A peça “central” no esquema seria Gerson Agustinho da Silva, de 47 anos, segundo a corporação, preso em flagrante na escola EREM João Pessoa Guerra, em Igarassu.
“O suspeito, que portava um smartwatch e ocupa um cargo elevado na hierarquia da organização criminosa, era responsável por capturar e repassar o conteúdo das provas. O objetivo dele não era a aprovação, mas o fornecimento das questões para cúmplices externos”, detalhou Barbosa.
Para fraudar o exame, de acordo com a polícia, os suspeitos deixavam uma prova falsa na mesa e levavam a verdadeira ao banheiro. Lá, fotografam o conteúdo e o enviam para fora do prédio antes de retornarem aos seus lugares. Assim, os demais membros da organização repassavam as respostas corretas.
As respostas eram repassadas por meio de pontos eletrônicos que, segundo a corporação, não podiam ser vistos normalmente na orelha.
Ao Diario de Pernambuco, a defesa de Gerson Agustinho da Silva, representado pela advogada Roselayne Natália negou que ele fosse “a peça central”, afirmaram que já fizeram esclarecimentos hoje e disse que “Gerson não foi pego fazendo fraude”.
A reportagem entrou em contato com o advogado de José Wellington da Silva Pereira Filho, mas este não retornou até a última atualização desta matéria.