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Política
Fuga para os EUA

Flávio Bolsonaro usou passaporte diplomático cancelado por Moraes para entrar nos EUA

PF investiga se jato ligado a Willer Tomaz o levou parlamentar à Argentina

Guto Moraes

Publicado: 28/10/2026 às 17:20

Flávio Bolsonaro e familiares deixam aeronave privada após pouso nos Estados Unidos/ Ricardo Arduengo/AFP

Flávio Bolsonaro e familiares deixam aeronave privada após pouso nos Estados Unidos ( Ricardo Arduengo/AFP)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), com o passaporte diplomático brasileiro cancelado por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O uso foi confirmado pela CNN Brasil, em consulta ao site U.S. Customs and Border Protection, da agência americana responsável pela proteção de fronteiras.

Sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas adolescentes do casal usaram o documentos brasileiros convencionais. O local do desembarque, no entanto, não foi informado no sistema estadunidense de monitoramento. O aeroporto utilizado foi revelado pela imprensa estadunidense posteriormente: o Opa-locka Executive Airport, em Miami.

O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde agosto de 2025 pela tentativa de golpe de Estado no Brasil, em 2023, chegou ao país com a família por volta das 10h30 (horário de Brasília). Diante de uma investigação de lavagem de dinheiro junto ao advogado e amigo Willer Tomaz, o senador deixou o país logo após o STF determinar, na segunda-feira (26), a entrega do seu passaporte.

O número do documento registrado pelas autoridades estadunidenses é o mesmo atribuído ao parlamentar na lista oficial de controle de passaportes diplomáticos do Senado Federal. Ele foi emitido em fevereiro de 2023 e teria validade até o dia 31 de julho de 2027, não fosse a determinação do Supremo pelo cancelamento. Flávio Bolsonaro não atendeu à determinação.

Na decisão de Moraes, Flávio Bolsonaro deveria entregar seus passaportes, diplomático e de outras nacionalidades, em até 24 horas e estava proibido de manter contato com Willer. Na sexta-feira (23), o amigo do parlamentar teve R$ 6 bilhões bloqueados e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial determinada pelo magistrado. O advogado é dono da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

A Polícia Federal (PF) também investiga se um possível um jato ligado ao advogado teria transportado Flávio até a Argentina, onde fez conexão para a fuga aos Estados Unidos. O blog de Malu Gaspar, de O Globo, revelou que a aeronave deixou Brasília (DF) na madrugada da terça-feira (27), horas antes do vencimento do prazo para a entrega dos passaportes.

O veículo em questão era um jato executivo bimotor de médio porte Cessna 560XL Citation Excel, de prefixo PR-AAA, que pertence a uma empresa controlada por Willer Tomaz. Ainda de acordo com Malu Gaspar, o jato decolou às 5h05 e pousou às 8h40, pelo horário de Brasília, na cidade argentina de San Fernando, que integra a região metropolitana de Buenos Aires.

Amigo master

A relação do ex-presidenciável — derrotado no segundo turno da eleição acirrada com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — com Willer Tomaz ganhou novas menções nas semanas que antecederam a reta final da disputa eleitoral. Antes disso, em 21 de agosto de 2026, o advogado saiu do Brasil em meio a uma apuração da Operação Sem Desconto que apurava sua relação com fraudes em benefícios do INSS.

A mesma investigação, na primeira instância da Justiça do Rio Grande do Sul, revelou que Flávio Bolsonaro era mencionado, em e-mails, como “usuário master” das contas da empresa Alcazar Holdings, de Willer Tomaz. A operação apurava a relação do advogado com crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e a utilização de casas de apostas para o suposto esquema.

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