PF pede mais prazo para concluir análises nos inquéritos que citam Lulinha
Relatórios sobre viagens, vínculos societários e movimentações bancárias estão em andamento. André Mendonça ainda não decidiu sobre a prorrogação e defesa pede arquivamento
Publicado: 20/10/2026 às 17:18
A PF solicitou à área técnica relatórios sobre as viagens de Lulinha e de Roberta desde janeiro de 2023 (Nelson Almeida/AFP)
A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais tempo para concluir diligências em dois inquéritos que citam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). O pedido, sigiloso, foi feito em 2 de outubro, quando terminou o prazo inicial de 60 dias. O relator, ministro André Mendonça, ainda não decidiu sobre acatar ou não a solicitação.
Segundo a PF, as medidas determinadas dependem de resultados ainda pendentes e o prazo adicional permitiria esclarecer os fatos e avaliar se outras providências são necessárias.
Os inquéritos
As investigações foram autorizadas pelo STF a partir do fim de julho. Mendonça é relator de duas delas e o ministro Flávio Dino, da terceira. Os dois inquéritos tratados no pedido apuram, respectivamente, a intermediação de um contrato de cannabis medicinal no Ministério da Saúde e a de negócios federais para um empresário de tecnologia, Cléber Ribas, cuja empresa tem contratos de R$ 53 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social.
Lulinha passou a ser citado depois de revelada sua proximidade com a empresária Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.
A PF solicitou à sua área técnica relatórios sobre as viagens de Lulinha e de Roberta desde janeiro de 2023, incluindo quem pagou as passagens; os vínculos societários e financeiros das pessoas citadas; as movimentações bancárias, a partir de quebras de sigilo já autorizadas; e agendas e reuniões em órgãos federais.
A corporação também quer detalhar uma viagem a Portugal em junho de 2024, para verificar se teve o mesmo custeio de outra, de fim daquele ano, que Lulinha já havia reconhecido.
O que dizem as defesas
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirma que não há elementos de prova contra o cliente e que faltou "coragem" à PF para arquivar o inquérito. Ele diz que entregou ao ministro Mendonça, em nome de Lula, os sigilos fiscal, bancário e telemático de Lulinha, e que Lulinha, que mora na Espanha, virá prestar esclarecimentos se for chamado.
A defesa de Roberta Luchsinger sustenta que um inquérito tem objetivo determinado e deve ser arquivado. A de Cléber Ribas nega irregularidades e afirma que os contratos seguiram os procedimentos legais.
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