"Terminou a eleição, desarmou o palanque", diz Raquel Lyra ao reafirmar neutralidade na disputa presidencial
Governadora voltou a reivindicar alcunha de 'pernambuquista' e reforçou gratidão às obras realizadas em parceria com a gestão de Lula
Publicado: 13/10/2026 às 20:37
Raquel Lyra em agenda institucional na Zona Norte do Recife (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)
A governadora Raquel Lyra (PSD) voltou a afirmar, nesta terça-feira (13), que pretende manter a neutralidade em relação à disputa do segundo turno da eleição presidencial. Em agenda institucional no bairro da Linha do Tiro, na Zona Norte do Recife, Raquel sinalizou que não deve ceder às pressões recentes de integrantes das campanhas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no estado.
“Meu compromisso com a população de Pernambuco é de colocar o interesse do povo pernambucano acima de qualquer discussão. Desde 2022, a gente vem falando sobre isso, demos um nome a isso, chama-se ‘pernambuquista’. É saber que terminou a eleição, desarmou o palanque, eu sou governadora de Pernambuco de novo”, afirmou.
Raquel ressaltou que, apesar da posse oficial do segundo mandato acontecer apenas em 2027, a sua nova gestão teria iniciado logo após o resultado das urnas no último dia 4 de outubro. A governadora reforçou a gratidão ao presidente Lula por parcerias formalizadas ao longo de sua primeira gestão, como as obras em rodovias e as barragens na Zona da Mata Sul do estado.
“Espero que possa avançar com a questão do metrô, da Transnordestina, tudo isso tem a ver com colocar o interesse do povo acima de qualquer outra discussão. Vou continuar trabalhando e é para o povo de Pernambuco que eu preciso também dar todas as minhas justificativas, esclarecimentos e estou sempre à disposição para isso”, disse.
O descolamento de Raquel da disputa presidencial vem desde as eleições de 2022, quando a então candidata optou por não declarar apoio a nenhum candidato ao Planalto. Neste ano, a pessedista manteve a conduta, apesar do posicionamento vir sempre acompanhado de uma fala de gratidão ao presidente Lula.
A postura vem sendo alvo de críticas recorrentes de lideranças da esquerda, como o deputado federal Carlos Veras (PT), coordenador da campanha de Lula em Pernambuco, e o senador Humberto Costa (PT), que afirmam que as parcerias formalizadas entre o estado e o Governo Federal deveriam ser suficientes para a governadora aderir à campanha do líder petista.
Possíveis mudanças no secretariado
Questionada sobre eventuais mudanças na composição do secretariado, uma vez que seu segundo mandato já teria iniciado simbolicamente, Raquel Lyra evitou detalhar nomes e pastas, mas admitiu a possibilidade ao citar modificações anteriores.
“Durante o nosso governo teve gente que foi mudada de lugar, fizemos uma pequena reforma administrativa, acrescentamos secretarias. Separamos ali a questão da assistência à fome e combate à pobreza. O mais importante é a estratégia do que está sendo feito. Nós começamos a trabalhar em Pernambuco garantindo um secretariado com competência técnica, com capacidade de sensibilidade política”, afirmou.
A última mudança substancial no secretariado ocorreu em abril deste ano, quando oito pastas vinculadas ao Executivo estadual tiveram alterações no comando. O rearranjo ocorreu, sobretudo, em função da disputa eleitoral deste ano e envolveu, entre outros nomes, o secretário de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco, André Teixeira Filho, que deixou o cargo para coordenar a campanha à reeleição de Raquel e retornou à função após o fim do primeiro turno.