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Eleições 2026

Humberto e Veras cobram Raquel e alertam para futuro de obras federais em Pernambuco sem Lula

Em entrevista ao Diario, Humberto Costa e Carlos Veras avaliam o cenário eleitoral e comentam a posição da governadora sobre apoio a Lula

Elaine Guimarães

Publicado: 07/10/2026 às 19:09

Humberto Costa e Carlos Veras/Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Humberto Costa e Carlos Veras (Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

O segundo turno na disputa presidencial trouxe uma nova configuração no xadrez político, em que a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) aparece no centro do tabuleiro. Apesar de reafirmar a sua posição de neutralidade no pleito nacional, a chefe do Executivo estadual tem recebido apelos de lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) para formalizar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o senador Humberto Costa e o deputado federal e presidente estadual da legenda, Carlos Veras, salientaram que a postura de neutralidade de Raquel Lyra contrasta com os interesses diretos do estado, no que se refere aos recursos vindos da União para ações e obras.

"Nós, em Pernambuco, temos muitas obras, muitas ações do PAC. Então, espero que ela faça essa avaliação também. Mas aí vamos dar tempo. São 13 dias de campanha que a gente tem. É possível que haja algum tipo de mudança nesse posicionamento", acredita Humberto. 

Ao Diario, Carlos Veras reforçou o discurso do senador e listou obras e ações previstas para o segundo mandato da governadora, que podem ser paralisadas em uma possível eleição de Flávio Bolsonaro (PL). ""Será que o estado vai ficar sem dinheiro para o Arco Metropolitano? A opção é dela, se ela quer governar sem esses recursos. O que está em jogo é o futuro do estado: se teremos verba para a educação, para a saúde, para a construção de Institutos Federais e de novos campi universitários", afirmou. 

Apesar do discurso de neutralidade, Humberto Costa menciona que o diálogo segue aberto. "Rui Costa tem conversado com ela. O ministro de Minas e Energia também tem conversado com ela. Vamos dar um tempo aí para ver qual vai ser a condução definitiva dela. Ela tem dito isso, mas quem sabe, sei lá, né? Quem sabe qual o cenário que se desenha com isso no segundo turno". 

Avaliação do primeiro turno

As articulações do Partido dos Trabalhadores são reflexo do resultado das urnas no primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro se manteve à frente de Lula durante todo o momento da apuração dos votos. Tanto Humberto Costa quanto Carlos Veras reconheceram que o desempenho da oposição superou a expectativa petista. 

"Obviamente que sabíamos que era uma campanha que ia ter dificuldades. O governo, apesar de tudo que fez, na minha avaliação aqui, é o melhor de todos os governos que o Lula já fez, mas há polarização política. Nós não achávamos que ele [Flávio Bolsonaro] fechasse dessa forma; para nós foi uma surpresa muito grande. Nós não imaginávamos", disse o senador. 

Na avaliação de Veras, os votos direcionados ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro são os chamados "úteis", vindos da extrema direita. Em tom otimista, o deputado garante que o cenário vai mudar: "Vamos ganhar a eleição no segundo turno. Pode anotar", acrescentou. 

Articulações

Atualmente, a candidatura do presidente Lula não angariou apoio de ex-presidenciáveis. O cenário, segundo Humberto Costa, já era esperado e reflete as formações táticas do primeiro turno. "A nossa tática no campo da esquerda foi reforçar a candidatura do presidente Lula. A direita, por não ter unidade, terminou tendo vários candidatos com votações pouco expressivas. Mas, no momento em que um se manifesta, isso é contabilizado como apoio importante", declarou. 

Sem esse apoio, o PT está ampliando a coordenação em todos os estados do país, convocando lideranças para trazer deputados e senadores eleitos, como também recorrendo a outros partidos para uma mobilização em prol da reeleição de Lula. "Toda nossa militância, todas as pessoas estão indo às ruas, conversando com a população, esclarecendo. A gente traz aqueles que não vieram votar, para vir votar, para proteger o seu futuro, futuro do seu país", salienta Carlos. 

Além disso, o presidente estadual do PT destacou a figura dos prefeitos das cidades pernambucanas, que tiveram um papel importante na disputa estadual, e reforça que eles reconhecem o papel das verbas federais para a manutenção dos serviços públicos locais e a geração de empregos na indústria e no comércio municipal. 

Para os dias que antecedem o segundo turno, previsto para 25 de outubro, a diretoria do PT em Pernambuco organizou uma série de agendas e reuniões de alinhamento no estado, que envolvem café da manhã, diálogo com o movimento sindical, reunião de bancadas, encontro entre a executiva estadual e municipal; e plenária de mobilização. 

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