Ivan cobra voto de Raquel para presidente e diz que governadora "normaliza bolsonarismo"
"Que governar com Lula é bom, todo mundo já sabe. Agora, me desculpe, o que indigna a população e a mim pessoalmente é você não considerar a importância da eleição nacional nesse processo", declarou Ivan Moraes
Publicado: 01/10/2026 às 11:32
Candidato Ivan Moraes (Foto: Reprodução/TV Jornal)
O candidato ao Governo de Pernambuco Ivan Moraes (PSOL) voltou a pressionar a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), para que ela revele seu voto na disputa pela Presidência da República. Durante o debate da TV Jornal, nesta quinta-feira (1º), o psolista acusou a adversária de evitar uma resposta direta sobre a eleição nacional e afirmou que a postura contribui para "normalizar o bolsonarismo".
"Você continua correndo dessa pergunta, mas eu preciso insistir", afirmou Ivan, ao dirigir-se à governadora. O candidato argumentou que a relação de Pernambuco com o governo federal não deveria ser tratada apenas pelo aspecto administrativo e cobrou de Raquel um posicionamento político na disputa pelo Palácio do Planalto.
Ivan citou o aumento de benefícios federais destinados a Pernambuco durante o governo Lula (PT) e afirmou que reconhecer as vantagens de uma boa relação institucional com Brasília não seria suficiente para responder à questão.
"Que governar com Lula é bom, todo mundo já sabe. Agora, me desculpe, o que indigna a população e a mim pessoalmente é você não considerar a importância da eleição nacional nesse processo", declarou.
Na sequência, o candidato do PSOL endureceu o discurso e relacionou a cobrança à presença de aliados do campo bolsonarista no entorno político da candidatura de Raquel. "Não dá para normalizar o bolsonarismo, Raquel. Não dá para achar que o bolsonarismo é apenas mais uma corrente política com a qual a gente tem que dialogar", disse.
Ivan também criticou integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e mencionou articulações realizadas nos Estados Unidos. "Não dá para achar que Lula e Bolsonaro são duas vertentes políticas comuns. Não dá para normalizar o bolsonarismo", acrescentou.
Raquel tem evitado declarar apoio a um candidato à Presidência no primeiro turno. Ao longo da campanha, a governadora tem ressaltado a relação institucional mantida pelo Estado com o governo Lula. No debate, Raquel mais uma vez se autodeclarou "pernambuquista", para além das bandeiras partidárias.
Segurança pública
Em outro momento do debate, Ivan Moraes direcionou suas críticas à política de segurança pública de Pernambuco. Para o candidato, sucessivos governos estaduais trataram o setor como uma "estratégia de marketing", enquanto organizações criminosas ampliaram sua presença no estado.
Ao apresentar suas propostas, Ivan citou o Instituto Fogo Cruzado e defendeu uma estratégia baseada no enfrentamento aos chamados "três C's": "cofre, cabeças e corrupção".
Segundo o candidato, o Estado precisa ampliar a capacidade de investigação para identificar os responsáveis pelo comando das organizações criminosas e atingir suas fontes de financiamento.
"Você precisa enfrentar com coragem os três C's, que é o cofre, ou seja, descobrir onde é que está o dinheiro do crime e fechá-lo; os cabeças, identificar quem são os cabeças do crime organizado e prendê-los; e, naturalmente, combater a corrupção", afirmou.
Ivan também defendeu o fortalecimento dos mecanismos de controle interno e das corregedorias policiais. Na avaliação do candidato, o combate à corrupção deve alcançar tanto estruturas administrativas quanto eventuais relações entre integrantes das forças de segurança e organizações criminosas.