Coligação de Raquel diz que homem detido em suposto roubo de bandeiras é ligado à cúpula do PSB
Afirmação foi feita pelo representante jurídico da campanha da governadora; SDS abriu inquérito na Corregedoria para investigar disparo feito por policial civil na ocorrência
Publicado: 17/09/2026 às 19:18
Edgar Moury, advogado da Coligação Pernambuco de Coração (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)
A equipe jurídica da Coligação Pernambuco de Coração, liderada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) concedeu uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (17), em frente à sede da Polícia Federal, no Bairro do Recife, para esclarecer sobre a denúncia de um possível roubo de bandeiras da campanha de Raquel para serem utilizadas no ato do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), ocorrido nesta quarta-feira (16).
De acordo com o advogado Edgar Moury Neto, a ação teria sido orquestrada pela direção do Partido Socialista Brasileiro (PSB). “Militantes falsos, vestidos com as cores partidárias da governadora Raquel, foram cooptados pela militância do PSB, pela direção da campanha do PSB, para criar um falso fato eleitoral, de maneira a vincular a governadora à candidatura à presidência [de Flávio Bolsonaro] com quem ela não tem nenhuma conexão”, alegou.
“Está provado que essas pessoas foram levadas em ônibus completamente desvinculado à campanha da governadora Raquel e está provado que o líder desses falsos militantes é ligado à cúpula do PSB. Não às pessoas que estão na base não, mas à cúpula, à direção do PSB. Essa falsidade está na antessala da direção e da candidatura do PSB”, completou Edgar.
A confusão ocorreu na Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio, horas antes do comício com Flávio Bolsonaro, realizado no Cais da Alfândega. Na ocasião, um homem identificado como Alexsandro Pereira da Silva chegou a ser detido pela Polícia Militar e foi encaminhado à Polícia Federal em razão da natureza eleitoral da ocorrência.
Segundo Edgar, a abordagem ao grupo supostamente liderado por Alexsandro se deu em razão de atitudes suspeitas.
Antes da PM assumir a ocorrência, a primeira intervenção foi feita pelo policial civil Uberdan de Menezes Matos Júnior, que chegou a efetuar um disparo de arma de fogo e atingir Alexsandro na perna esquerda. O servidor integra o quadro societário da empresa Rede de Negócios e Produção de Eventos Ltda., apontada pela plataforma de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o maior fornecedor da campanha de Raquel Lyra, com um repasse de R$ 2,5 milhões.
Questionado sobre uma possível ligação entre Raquel e Uberdan, o advogado da campanha argumentou que não se pode “aceitar que narrativas desviem o foco do que aconteceu”. Edgar afirmou ainda que Raquel Lyra e Priscila Krause (PSD), candidata a vice-governadora, vêm sendo vítimas de violência de gênero.
Polícia Civil investiga o caso
Em nota enviada à imprensa, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) afirmou que a ocorrência foi registrada pelo 16º Batalhão da Polícia Militar. Na ocasião, um suposto furto de bandeiras resultou na prisão de um suspeito, que foi conduzido à Central de Plantões da Capital (CEPLANC) e em seguida encaminhada à Polícia Federal, responsável por investigar fatos e eventos de natureza eleitoral.
O órgão também confirmou a abertura de um inquérito para apurar a ocorrência do disparo de arma de fogo, que segue a cargo da Corregedoria Geral da SDS-PE. “Foi instaurado um procedimento preliminar por meio do qual serão verificadas as informações referentes ao caso, coletando-se também os subsídios necessários à análise de repercussão administrativa dos fatos. O procedimento segue em trâmite no Órgão Correcional”, diz um trecho do comunicado.