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Política
CRISE NO STF

Nunes Marques bloqueia Gilmar no WhatsApp após troca de mensagens sobre caso Master: "assumam que estão ferrados"

Marques chamou o decano do STF de "servil" e "submisso", e Gilmar cobrou que ele e Fux abrissem suas contas bancárias; Atrito ocorreu horas antes de julgamento sobre afastamento do diretor-geral da PF

Nilton Vilanova

Publicado: 16/09/2026 às 09:57

O ministro Nunes Marques e o decano da Corte, Gilmar Mendes, discutiram e trocaram acusações em meio à crise do STF/Rosinei Coutinho/STF

O ministro Nunes Marques e o decano da Corte, Gilmar Mendes, discutiram e trocaram acusações em meio à crise do STF (Rosinei Coutinho/STF)

Uma intensa troca de mensagens marcada por acusações e cobranças levou o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), a bloquear o colega de Corte Gilmar Mendes no WhatsApp. O bloqueio ocorreu no dia 8 de outubro, após o decano enviar uma sequência de recados exigindo que Kassio e o ministro Luiz Fux "abrissem as contas" e se afastassem dos processos relacionados ao caso Master — investigação sobre fraudes no Banco Master que envolve suspeitas sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Gilmar estava na Itália quando enviou as mensagens, todas após as 18h no horário de Brasília (já passava das 23h no horário local). O atrito coincidiu com o julgamento, na Segunda Turma do STF, sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — medida inicialmente tomada pelo ministro André Mendonça e posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino.

"Vamos agora discutir na Turma ou no Plenário o que existe? Todos dizendo que vocês são reféns do André... Ok, abram as contas", escreveu Gilmar, segundo a íntegra da conversa revelada por veículos de imprensa e apurada de forma independente. Em seguida, o decano subiu o tom: "Você e o Fux parecem servis, submissos... Assumam que estão ferrados e saiam dos processos".

Vínculos familiares e discussão ríspida

A cobrança do decano fazia referência a reportagens sobre vínculos de familiares dos ministros com o caso Master: Kevin Marques, filho de Kassio, e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, ambos citados em levantamentos sobre contratos ligados ao banco. Gilmar defendia que os dois colegas se declarassem impedidos de julgar processos relacionados ao tema.

Kassio reagiu: "Me respeite, Gilmar. Isso não é postura". O decano rebateu, em mensagem com a grafia original preservada: "Não julguem, porra. Não respeito a quem não se dá respeito". Gilmar acrescentou que Kassio deveria deixar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A resposta veio seca: "Então não me tecle, pois não falo com quem não me respeita". Depois disso, Kassio bloqueou o número do decano.

Fux também foi alvo de cobranças de Gilmar

Gilmar Mendes também trocou mensagens ríspidas com o ministro Luiz Fux, de quem cobrou "postura institucional" durante o mesmo julgamento. O decano havia pedido vista assim que a sessão virtual começou, mas os demais ministros anteciparam os votos cerca de sete minutos depois, formando maioria pela manutenção de Andrei Rodrigues no cargo.

Gilmar interpretou o movimento como uma articulação entre Fux e Kassio: "Isto revela qualquer coisa, menos postura institucional. Espero que não se repita".

Fux respondeu sustentando que a cobrança poderia valer para outra pessoa: "Ninguém neste mundo diz para mim como agir", e desejou boa noite ao colega. Gilmar insistiu: "Fux, só cuide de atuar como presidente da Turma". A tréplica de Fux foi direta: "Bom dia. Cuide de não encher meu saco".

Tensão nos bastidores do julgamento

O bate-boca expôs o clima de forte tensão que antecedeu a sessão em que o STF analisou o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na ocasião, Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento, alegando conflito derivado de sua posição na presidência do TSE.

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