Fachin se reúne com Messias e ministro da Justiça em meio à crise na PF
Encontro no STF ocorre após André Mendonça determinar o afastamento de Andrei Rodrigues e de diretor de Inteligência da corporação no caso Banco Master
Alícia Bernardes - Correio Braziliense
Publicado: 08/09/2026 às 17:32
A reunião de Fachin com o chefe da AGU ocorre em um momento de forte tensão entre os órgãos envolvidos no caso (Lula Marques/Agência Brasil)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, recebeu nesta terça-feira (8) o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. A reunião ocorreu em meio à crise provocada pelo afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça.
O encontro durou cerca de meia hora e foi incluído de última hora na agenda oficial de Fachin. Na saída do Supremo, Messias classificou a conversa como “muito institucional e republicana”. A reunião ocorre enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) prepara um recurso contra a decisão de Mendonça, com o objetivo de tentar reverter o afastamento de Andrei do comando da corporação.
A decisão de Mendonça também determinou o afastamento do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, no âmbito dos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. A medida provocou tensão entre integrantes da Corte e da Polícia Federal e colocou Fachin no centro das articulações para administrar o desgaste institucional.
O caso está em análise na Segunda Turma do STF. A decisão de Mendonça já recebeu maioria para ser referendada, com os votos do próprio relator, de Luiz Fux e de Kassio Nunes Marques. O julgamento, contudo, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Dias Toffoli ainda não apresentou seu voto, e a liminar que determinou os afastamentos continua em vigor.
A crise também provocou uma reação interna na Polícia Federal. Diretores da corporação divulgaram uma nota conjunta em apoio a Andrei Rodrigues e Leandro Almada. No documento, os integrantes da cúpula da PF repudiaram as acusações de atuação considerada “não republicana” e colocaram os próprios cargos à disposição do diretor-geral que assumirá interinamente a instituição.
A reunião de Fachin com o ministro da Justiça e o chefe da AGU ocorre, portanto, em um momento de forte tensão entre os órgãos envolvidos no caso. Além da tentativa de reverter o afastamento de Andrei, a movimentação evidencia a preocupação com os efeitos institucionais da decisão de Mendonça e com os próximos passos da investigação envolvendo o Banco Master.
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