Alice Gabino vê proximidade política entre João e Raquel: "Estão no mesmo prato"
Candidata a vice-governadora na chapa de Ivan Moraes (PSOL), Alice Gabino (Rede) afirmou que o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) estão no mesmo espectro político quando consideradas as práticas de gestão. Para Alice, a candidatura encabeçada por Ivan é a que representa efetivamente a esquerda na eleição estadual
Publicado: 04/09/2026 às 11:46
Alice Gabino (Rede) durante sabatina realizada na Rádio Cultura de Caruaru (Foto: Reprodução)
Em uma eleição estadual polarizada entre dois candidatos que já estiveram, no passado, no mesmo campo político, Alice Gabino (Rede) não vê tantas diferenças assim entre os projetos representados por João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD). “João Campos está no mesmo prato de Raquel, nas suas práticas de governo”, disparou a candidata a vice na chapa de Ivan Moraes (PSOL) durante sabatina realizada nesta quinta-feira (3) pela Rádio Cultura de Pernambuco, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste.
“Claramente, hoje, junto com o PCB, com a Rede e com o PSOL, o pernambucano está entendendo quem realmente está no campo central da esquerda”, afirmou a candidata. Ao longo da entrevista, Alice buscou justamente demarcar esse espaço político para a chapa encabeçada por Ivan. Ao tratar da disputa estadual, Alice classificou Raquel como representante de uma candidatura de direita e associou o palanque da governadora ao bolsonarismo, citando a presença do candidato ao Senado Mendonça Filho (PL), que apoia Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
Alice também foi confrontada com um dos principais desafios de um eventual governo de Ivan Moraes: a construção de uma base política na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A Federação PSOL-Rede não parte de uma posição de força na eleição proporcional e, caso a chapa vença a disputa pelo Executivo, dependeria de acordos com partidos que atualmente estão distantes do seu campo político para formar maioria no Legislativo.
Alice afirmou que estaria disposta a participar dessa articulação e descartou uma postura de isolamento ideológico. “A gente não tem medo do diálogo e da agregação”, respondeu. Segundo ela, a experiência de Ivan Moraes como vereador do Recife demonstra capacidade de construir acordos mesmo estando em minoria.
Alice citou como exemplo a aprovação de uma legislação relacionada à cannabis medicinal durante a passagem de Ivan pela Câmara Municipal. Para a candidata, a construção de maioria em torno da proposta demonstrou que o aliado consegue dialogar inclusive com parlamentares ideologicamente distantes. “Ivan nunca foi um vereador isolado, sectário, muito pelo contrário”.
A candidata disse que pretende desempenhar papel semelhante caso seja eleita vice-governadora. Advogada, Alice também citou experiências nos governos federal e estadual e afirmou que uma eventual gestão de Ivan não governaria apenas para partidos do mesmo campo ideológico.
“Quando a gente vai governar, a gente não vai governar só para aquele campo ideológico. A gente precisa olhar para o espectro amplo da diversidade, seja do povo, seja das ideologias”, declarou.
Clima de ataques na campanha
A candidata da Rede também criticou a escalada de ataques registrada nas últimas semanas da campanha eleitoral. Questionada sobre denúncias envolvendo perfis falsos e a circulação de cartazes apócrifos com ataques à governadora Raquel Lyra, a candidata pontou que “esse tipo de ataque é violência política e violência política é crime. Essas questões apócrifas precisam ser investigadas”.
Alice evitou atribuir a autoria dos episódios a qualquer candidatura. “Não posso apontar qual é o partido, qual é o candidato. A Polícia Federal e os órgãos pertinentes vão averiguar, estão já averiguando e vão encontrar os culpados”, declarou.
Violência contra a mulher
A violência contra a mulher também ocupou parte da sabatina e foi um dos temas em que Alice Gabino direcionou as críticas mais duras ao governo Raquel Lyra. A candidata afirmou que Pernambuco segue falhando na proteção às vítimas e cobrou a ampliação da rede de atendimento, com delegacias especializadas funcionando 24 horas, inclusive em fins de semana e feriados.
Para Alice, a ausência desse atendimento permanente ignora a dinâmica da violência doméstica, que, segundo ela, acontece principalmente dentro de casa e fora do horário comercial. “Crime e violência contra a mulher não escolhem hora e nem escolhem dia”, afirmou durante a entrevista.
Ela também questionou a promessa de implantação de delegacias da mulher em Ouricuri e Ipojuca, feita pelo governo estadual, e responsabilizou Raquel Lyra e a vice-governadora Priscila Krause (PSD) pela falta de avanços na área. “Estão negligenciando a segurança das mulheres, a vida das mães e a vida de nossas meninas”, criticou.