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Flávio Bolsonaro sobre Dark Horse: "Não sou eu que tenho que prestar conta, é Lula"

Candidato a Presidência, Flávio se irritou com a pergunta de jornalistas sobre o tema. Presidenciável havia prometido prestação de contas sobre recursos para o filme

Nilton Vilanova

Publicado: 25/08/2026 às 17:26

Candidato à presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro/Beto Barata/ PL

Candidato à presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (Beto Barata/ PL)

Três meses depois de prometer divulgar publicamente os detalhes financeiros do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL), mudou de posição e afirmou que não cabe a ele fazer essa prestação de contas.

Em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na noite desta segunda-feira (24), Flávio se irritou ao ser questionado pela imprensa sobre o tema e respondeu: “Vocês vão parar no tempo? Não sou eu que tenho que prestar conta, é Lula”.

Em maio, após vazamento de áudios em que pedia recursos para a produção do longa ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Flávio havia garantido que apresentaria um relatório detalhado em 30 dias.

Agora, o senador disse que a produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, já teria “prestado contas” em documentos anexados a um inquérito da Polícia Civil em São Paulo e que parte desses dados vazou para a imprensa.

Nos bastidores, integrantes da campanha admitem que Flávio errou ao anunciar uma prestação de contas pública sem ter acesso direto aos dados, já que o contrato foi firmado entre a produtora e os financiadores.

Segundo documento apresentado em junho pela defesa de Karina, o filme teria custado R$ 75,1 milhões (US$ 13,39 milhões), com R$ 54 milhões gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. O laudo, feito por um perito contratado pelos advogados da produtora, não inclui recibos, notas fiscais ou detalhamento de itens como cachês de artistas e tampouco esclarece a origem dos R$ 20,9 milhões usados no país.

Karina já afirmou em entrevistas que cerca de 90% do financiamento veio de Daniel Vorcaro, que chegou a repassar R$ 61 milhões ao projeto, de um valor total inicialmente acertado em R$ 134 milhões.

Em aparição no dia 20 de agosto, Flávio já havia dito considerar o caso “página virada”, repetindo que a prestação de contas “já foi feita” e que “estava tudo certinho”, embora não tenha apresentado documentos de forma direta. 

Investigações em andamento 

A Polícia Civil de São Paulo investiga se houve uso de recursos públicos do contrato de Wi-Fi firmado entre a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), também de Karina, e a Prefeitura de São Paulo. 

Paralelamente, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou em julho a abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar os repasses de Vorcaro ao filme, a pedido do próprio Flávio. Há suspeitas de que parte do dinheiro possa ter sido desviado para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, hipótese que ele nega.

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