Governo contesta acusações e diz que pedido de impeachment de Priscila tem caráter eleitoral
Na nota, o Governo de Pernambuco reafirma compromisso com a transparência e ressalta que Priscila Krause não integra o quadro societário do hospital investigado
Publicado: 20/08/2026 às 18:08
Priscila Krause (PSD) rebate acusações e diz que pedido de impeachment tem caráter político-eleitoral (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
O Governo de Pernambuco afirmou, nesta quinta-feira (20), que as acusações apresentadas no pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause (PSD) e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, “não correspondem aos fatos” e classificou a iniciativa de três deputados de oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) como uma movimentação de caráter político-eleitoral.
A manifestação ocorre após os deputados Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes, todos do PSB, protocolarem, na quarta-feira (19), o pedido de impeachment, no qual apontam possíveis crimes de responsabilidade, atos lesivos ao patrimônio público e supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos relacionados à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns.
Um dos principais argumentos apresentados pelos parlamentares é a relação da unidade de saúde com Jorge Branco, marido de Priscila Krause. Segundo os deputados, durante períodos em que Priscila assumiu interinamente o comando do Estado, entre 2024 e 2025, foram autorizados cerca de R$ 200 milhões em orçamento que também alcançariam a unidade. O pedido sustenta que a situação deveria ser investigada por eventual conflito de interesses.
Gestão do PSD contesta dimensão das inconsistências
Na nota, o Governo de Pernambuco afirma que Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde, que presta serviços complementares ao Estado há 55 anos, atravessando 16 governos estaduais.
A gestão também afirma que a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebeu o relatório final do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) e que está adotando os encaminhamentos previstos na legislação, da mesma forma como faz com os demais prestadores de serviço.
O governo chama atenção para a dimensão dos apontamentos feitos pela auditoria. Segundo a nota, as inconsistências documentais correspondem a 1,4% do montante analisado.
A gestão também destaca especificamente os procedimentos de hemodiálise. De acordo com o governo, das aproximadamente 150 mil sessões analisadas individualmente, o relatório do DenaSUS contesta a documentação referente a 90 delas — o equivalente a 0,06% do total.
O relatório do DenaSUS analisou a aplicação de R$ 55,8 milhões em recursos federais repassados pelo Fundo Nacional de Saúde entre janeiro de 2023 e julho de 2025 para serviços de média e alta complexidade na unidade. A auditoria apontou inconsistências em procedimentos de oncologia, UTI e hemodiálise.
Na oncologia, por exemplo, o relatório apontou que 33 das 60 autorizações de internação analisadas apresentavam cobranças incompatíveis com informações registradas nos prontuários, além de inconsistências em 113 autorizações referentes a procedimentos sequenciais. Na UTI, os auditores também identificaram divergências entre a quantidade de leitos informada pela unidade e os registros considerados na auditoria.
Parecer do TCE de 2024
Outro argumento utilizado pelo Executivo estadual é uma análise anterior do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), realizada em 2024.
Segundo o governo, o Tribunal já havia analisado o caso e afastado a hipótese das irregularidades alegadas pelos parlamentares. A nota cita trecho do parecer segundo o qual “os fatos não indicam a concretização das referidas hipóteses de vedação à contratação”.
Ainda de acordo com o governo, o mesmo parecer apontou que as contratações questionadas pela Alepe não eram novas e já haviam sido realizadas mais de uma vez entre o Estado e a Casa de Saúde, inclusive durante outra gestão, com valores semelhantes aos que agora são contestados.
A manifestação ocorre em meio ao embate entre Priscila Krause e os três parlamentares que apresentaram o pedido de impeachment. No início de agosto, a vice-governadora também apresentou queixa-crime contra Romero Albuquerque, Junior Matuto e Rodrigo Farias por calúnia e difamação, alegando que os deputados divulgaram conteúdo que associava sua imagem a suposto direcionamento de recursos públicos para beneficiar a unidade de saúde ligada ao marido.
Confira a nota do Governo na íntegra
"O Governo de Pernambuco afirma que as acusações não correspondem aos fatos e que o pedido protocolado por três deputados de oposição na Assembleia Legislativa tem caráter político-eleitoral. O Governo ainda esclarece que a vice-governadora Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde, que presta serviços complementares ao estado há 55 anos, ao longo de 16 governadores.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebeu o relatório final do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) relacionado a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, e segue com os encaminhamentos dentro da norma jurídica da mesma forma que realiza para qualquer outro prestador da secretaria.
O relatório apontou inconsistências documentais correspondentes a 1,4% do montante analisado. Sendo certo que, das cerca de 150 mil sessões de hemodiálise analisadas uma a uma, o parecer contesta a documentação de apenas 90, o equivalente a 0,06% do total.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisou o caso, ainda em 2024, afastando a hipótese das irregularidades alegadas: 'os fatos não indicam a concretização das referidas hipóteses de vedação à contratação'.
Segundo o mesmo parecer, as contratações questionadas pela Alepe 'não se tratam de novidades, já tendo sido realizadas, por mais de uma vez, entre o Estado e a Casa de Saúde, inclusive durante o mandato de outra gestão, nos quais foram envolvidas cifras similares às contestadas'.
O Governo de Pernambuco reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá prestando todos os esclarecimentos necessários."