Tempo integral e 1ª infância: confira propostas dos candidatos ao governo de PE na educação
Maioria dos planos apresentados também mira valorização dos professores e novas tecnologias para os próximos quatro anos
Publicado: 18/08/2026 às 11:59
Escola estadual de Pernambuco (Rafael Vieira/DP Foto)
Apoio à primeira infância, expansão do ensino em tempo integral, valorização dos professores e novas tecnologias norteiam os planos voltados à educação, que foram apresentados pelos candidatos ao governo de Pernambuco Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) para as eleições deste ano.
A maioria das propostas também mira a expansão de unidades e de vagas na educação infantil, assim como a continuidade de programas como o Ganhe o Mundo. Em contraponto às abordagens mais tradicionais, o candidato Renan Hallais propõe a criação do programa Guarda Escola PE, que prevê a atuação de profissionais de segurança na mediação de conflitos dentro do ambiente escolar.
Raquel Lyra
Com foco na continuidade, a candidata à reeleição, Raquel Lyra, propõe ações de fortalecimento do regime de colaboração com os municípios, focando prioritariamente na primeira infância e na infraestrutura educacional. A governadora prevê a conclusão e a equipagem de 250 novas creches e uma estimativa de 60 mil vagas a mais no estado.
Além disso, o planejamento aponta o apoio à gestão municipal no primeiro ano dessas novas unidades para assegurar o financiamento federal, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A proposta também abrange o suporte à busca ativa escolar para garantir matrículas, a permanência na pré-escola e a consolidação dos indicadores de alfabetização na idade certa.
No que se refere ao ensino médio e técnico, Raquel Lyra projeta a expansão das Escolas Técnicas Estaduais (ETEs), a conclusão de 15 novas unidades, o fortalecimento do programa TrilhaTec e o avanço da rede em tempo integral. A candidatura também destaca ações de inclusão, com a expansão dos centros de atendimento para estudantes neurodivergentes e com deficiência, além de reformas com foco em climatização e a conclusão do Centro de Formação dos Profissionais da Educação (CEFORPE), na antiga Fábrica Tacaruna.
Ademais, o planejamento foca na manutenção da frota própria de transporte escolar, na alimentação saudável oriunda da agricultura familiar e na continuidade do programa Ganhe o Mundo Professor para qualificação no exterior.
João Campos
O candidato da Frente Popular de Pernambuco também projeta a expansão da educação infantil, mediante a implantação de novas creches em parceria com as prefeituras, além de fortalecer a política estadual de alfabetização na idade certa. No documento, João Campos propõe universalizar o ensino médio em tempo integral e estender a modalidade para os anos finais do ensino fundamental.
Na formação técnica e superior, o candidato projeta a modernização dos laboratórios das ETEs com ensino de inglês; e a expansão do programa Embarque Digital para o interior do estado, com a meta de ofertar 10 mil vagas em quatro anos.
Além disso, o ex-prefeito do Recife visa à contínua interiorização da Universidade de Pernambuco (UPE), com novo campus em Caruaru, e à expansão da rede do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), em parceria com o Governo Federal, assim como projeta atrair uma instituição de excelência em tecnologia nos moldes do ITA, IMPA ou IME.
A proposta engloba ainda a retomada regular do intercâmbio estudantil Ganhe o Mundo; a criação de centros de formação continuada para docentes; ações para a educação inclusiva e antirracista; o respeito às comunidades do campo, de indígenas e quilombolas; e o fortalecimento do esporte escolar.
Ivan Moraes
O planejamento para a educação do pessolista prioriza a equidade social, a gestão democrática, os direitos trabalhistas e a atenção à diversidade nos ambientes de ensino. Entre as propostas, Ivan Moraes também destaca a parceria entre a gestão estadual e a municipal para assegurar a alfabetização e o aprendizado em matemática até o final do segundo ano do ensino fundamental.
Ademais, o plano prevê ampliação da educação em tempo integral, com foco em territórios vulneráveis, e a criação da Política Estadual de Apoio à Educação Infantil.
Moraes também propõe iniciativas como a criação de um Plano Estadual com concursos periódicos, redução de contratos temporários, cumprimento do piso salarial, tempo para planejamento e concessão de bolsas de pós-graduação para os professores, além de uma política intersetorial de saúde laboral para prevenir o esgotamento profissional.
O plano de governo ainda inclui a estruturação da Rede Estadual de Suporte à Inclusão Escolar; o fortalecimento das diretrizes para povos indígenas, quilombolas e do campo; políticas de equidade étnico-racial e diversidade; a escolha de diretores escolares por meio de consulta à comunidade; planos de adaptação climática nas unidades da rede e apoio financeiro estável para a UPE.
Renan Hallais
Balizado em quatro pilares, três eixos e 14 propostas, o planejamento do candidato do Missão para a educação de Pernambuco é voltado à integração comunitária, a novos formatos pedagógicos e à modernização da gestão através da inteligência artificial. No plano de governo, Hallais aponta a criação da iniciativa "Escola de Portas Abertas", que prevê o uso dos equipamentos escolares pela comunidade nos fins de semana.
Outro programa proposto pelo postulante é o "Professor em Casa", para visitas domiciliares a famílias de estudantes em situação de vulnerabilidade. No que se refere aos campos pedagógico e profissional, Renan adota o padrão da Escola de Aplicação da UPE como referência curricular de português e matemática a partir do 6º ano.
Entre as propostas apresentadas estão a reformulação da carreira docente em três trilhas de progressão equivalentes: ensino, gestão e especialista, e a criação dos programas Sistema Dual PE, para aprendizagem prática remunerada em empresas para estudantes do 2º e 3º anos; P-TECH P, para percursos integrados entre ETEs e o ensino superior; e o QualificaPE com certificações modulares. Além de oferta de mentorias.
No pilar relacionado à gestão, Renan Hallais traz o "Pacto pela Educação 2.0", com definição de metas, assinatura e balanço públicos a cada ano letivo, além de um painel público de cumprimento de escopos por escola, em linguagem acessível para a comunidade escolar.