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Política
Tensão diplomática

Chanceler argentino diz não ter provas para confirmar acusação de Milei contra o Brasil

Segundo Quirno, há convicção de que existiu uma campanha contra a Argentina, mas não há evidências de que o financiamento tenha partido do governo Lula

Fernanda Strickland - Correio Braziliense

Publicado: 06/08/2026 às 11:52

Javier Milei/Connie France/AFP

Javier Milei (Connie France/AFP)

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou na quarta-feira (5) que não possui elementos para comprovar a declaração do presidente Javier Milei de que parte dos recursos de uma suposta campanha contra o país teriam sido financiados pelo governo brasileiro. A declaração foi dada ao site Infobae, em meio à repercussão das acusações feitas pelo chefe do Executivo argentino no fim de julho.

Segundo Quirno, há convicção de que existiu uma campanha contra a Argentina, mas não há evidências de que o financiamento tenha partido do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Temos certeza de que a campanha anti-Argentina foi financiada pelo Brasil, mas não temos certeza se foi financiada pelo governo brasileiro", declarou o chanceler, buscando diferenciar sua posição da afirmação feita anteriormente por Milei.

A controvérsia teve início após entrevista concedida por Milei à rádio Mitre no último dia 26. Na ocasião, o presidente argentino afirmou, sem apresentar provas, que "25% dos recursos (para financiar a suposta campanha) saíram do governo do Brasil". A declaração ocorreu um dia depois de sua viagem a São Paulo, onde participou de um evento para manifestar apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Durante a convenção do Partido Liberal, Milei também fez críticas ao governo brasileiro. Sem citar nominalmente o presidente Lula, referiu-se ao chefe do Executivo como "ladrão". O presidente argentino ainda chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca", declarações que ampliaram a tensão diplomática entre os dois países.

Na entrevista ao Infobae, Quirno afirmou que 22% das mensagens publicadas contra a Argentina nas redes sociais teriam origem no Brasil, seguido pelo México. Para o chanceler, o volume de publicações indicaria a existência de financiamento por trás da campanha. "É evidente que há dinheiro por trás disso", declarou.

Apesar disso, reconheceu não possuir provas sobre a origem dos recursos nem sobre eventuais responsáveis. Ao tentar relacionar a monetização de conteúdos em plataformas digitais ao suposto financiamento, afirmou que as postagens geram receita nas redes sociais, mas admitiu não ter elementos para responsabilizar qualquer pessoa ou instituição no Brasil. "Quem no Brasil? Não tenho provas para incriminar ninguém", disse.

Na mesma entrevista concedida à rádio Mitre, Milei também afirmou, sem apresentar evidências, que a suposta campanha contra a Argentina após a final da Copa do Mundo teria recebido financiamento do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.

Confira as informações no Correio Braziliense.

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