Novos ataques de Milei a Lula complicam retorno de embaixador do Brasil à Argentina
Embaixada continua funcionando sem presença do chefe do posto
Publicado: 03/08/2026 às 17:16
Julio Glinternick Bitelli, embaixador do Brasil na Argentina (Tomás Cuesta/AFP)
A nova sequência de ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao canal LN+, devem complicar o cenário de normalização diplomática e retardar o retorno a Buenos Aires do embaixador brasileiro Julio Bitelli. Gestos de distensão eram uma condição para a volta do diplomata.
No domingo (2), Milei reiterou na entrevista o teor das declarações que havia feito no Brasil, ao participar da convenção que lançou a candidatura oposicionista do senador e aliado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente da República. O presidente argentino afirmou que agiu de forma correta ao chamar o petista de "presidiário", "ladrão" e "corrupto".
"Eu menti?", reagiu Milei, ao ser questionado na TV. "É ladrão, é um corrupto. Foi condenado por ser ladrão e corrupto. Esteve preso, portanto está correto presidiário. E não somente isso. Foi liberado por um erro administrativo do procedimento (judicial), não por ser inocente."
Até sexta-feira (31), a ordem no Itamaraty era aguardar sinais de eventual normalização e monitorar a situação política na capital argentina à distância, por meio de contatos diversos do corpo diplomático. A embaixada continua funcionando, mas sem a presença do chefe do posto.
Bitelli foi chamado a consultas em Brasília como gesto grave de desaprovação ao ato de Milei na convenção bolsonarista, uma praxe diplomática. Após conversas com Lula e com o ministro Mauro Vieira, foi orientado a permanecer no País por tempo indeterminado, até que houvesse uma avaliação política indicando degelo.
O governo brasileiro não pretende rebaixar a representação ou deixar a embaixada sem comando, tampouco romper relações ou agravar a crise. Mas pregou cautela. A nova investida de Milei vai em direção contrária aos sinais recebidos até então.
Diplomatas que acompanham as reuniões de avaliação do Itamaraty tinham achado positivo - para os padrões de um governo Milei - a fala do chanceler Pablo Quirno, na quarta-feira (29), indicando em uma das principais rádios da Argentina, a Mitre, que não havia intenção de romper com o Brasil.
Bitelli permanece no Brasil. O embaixador fez até agora três reuniões com integrantes do governo federal - duas delas, com o próprio Lula. A terceira e última foi justamente na sexta-feira (31) apenas com o ministro Mauro Vieira.