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Planalto crê em retaliação após negar vistos a assessores de Trump

Governo avalia que Estados Unidos reagirão depois de Itamaraty negar entrada no país de dois integrantes da gestão norte-americana

Renato Souza e Fernanda Strickland - Correio Braziliense

Publicado: 28/07/2026 às 11:12

 Palácio Itamaraty/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Palácio Itamaraty (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de uma retaliação por parte dos Estados Unidos após o Itamaraty negar vistos de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano.

Segundo informações de bastidores, integrantes do governo foram alertados de que a administração do presidente Donald Trump poderá responder à decisão dificultando a permanência de brasileiros em território americano, com a possibilidade de devolução de cidadãos ao país nos próximos dias.

A tensão diplomática teve início após o Itamaraty recusar os pedidos de visto de Riley Barnes e Samuel Samson. A justificativa apresentada pelo governo foi de que a visita poderia ser utilizada para levantar suspeitas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos rejeitou essa interpretação. De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters, um porta-voz da pasta afirmou que Barnes e Samson viajariam a Brasília entre 27 e 30 de julho para reuniões com autoridades brasileiras, líderes religiosos e representantes da sociedade civil. A agenda teria como foco temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.

Confira matéria no Correio Braziliense.

A negativa dos vistos ocorreu poucos dias depois de declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas durante um evento com embaixadores estrangeiros. As alegações feitas pelo parlamentar haviam sido desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiteradas vezes.

Samuel Samson ocupa o cargo de subsecretário-adjunto de Estado no Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL). Segundo o jornal The Washington Post, ele percorreu países da África e da Europa promovendo a agenda conservadora do presidente Donald Trump e estreitando relações com grupos de direita.

Já Riley Barnes é secretário-adjunto de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho no mesmo departamento. Desde abril, também exerce a função de embaixador extraordinário para a liberdade religiosa internacional, após ocupar diversos cargos de alto escalão no Departamento de Estado e no Senado dos Estados Unidos.

Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater "liberdade de expressão relacionada às eleições". As autoridades brasileiras identificaram uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.

O TSE afirmou que a área internacional da Corte foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de integrantes do governo americano, mas não foi informada sobre a pauta da agenda. A reunião não foi marcada em razão do recesso do Judiciário.

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