° / °
Política
FILME

Comida estragada, agressão e atraso de cachês marcam gravações de 'Dark Horse'

Denúncias feitas ao Sated/SP revelam os bastidores do filme em São Paulo; Ancine não sabia da gravação do longa

Correio Braziliense

Publicado: 16/05/2026 às 18:53

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente no filme Dark Horse/Reprodução/Redes Sociais

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente no filme Dark Horse (Reprodução/Redes Sociais)

A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, Dark Horse, teve episódios dos bastidores das gravações em São Paulo revelados neste sábado (16). Oferta de comida estragada, pagamento abaixo do preço de mercado, tratamento diferente do elenco estrangeiro e falta de comunicação à Agência Nacional do Cinema (Ancine) são alguns dos relatos que vieram à tona. As informações são do G1 e do Intercept Brasil.

As informações vieram do relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated/SP), de dezembro de 2025, enviado ao G1, que reúne relatos de figurantes e técnicos envolvidos no filme.

O documento contempla 15 ocorrências formais registradas por trabalhadores, como artistas sem registro profissional (DRT), tratamento diferenciado, alimentação insuficiente para jornadas superiores a 8 horas e até mesmo fornecimento de comida estragada em 30 de outubro do ano passado.

Além disso, o relatório mostra atraso em pagamentos, cachês com valor abaixo do mercado, contratação informal e pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal. Fora o valor de deslocamento que alguns figurantes pagaram, de R$ 10, que foi cobrado em dinheiro ou descontado do cachê.

Inclusive, consta no documento da Sated, um episódio de agressão física no set, em que um figurante chegou a registrar um boletim de ocorrência e avisar que faria o exame de corpo delito. As revistas aos funcionários também foram classificadas como invasivas, como toques em parte íntimas e seios de figurantes na entrada das locações.

Já o Intercept Brasil publicou que a produtora do longa, GO UP Entertainment nunca enviou nenhuma documentação à Ancine, informação que foi confirmada pela agência ao veículo. O registro é uma exigência legal brasileira, prevista na instrução normativa nº 79, de 2008, da Ancine, em que toda obra audiovisual estrangeira gravada no Brasil — com exceção de produções jornalísticas — deve ser realizada sob responsabilidade de uma produtora brasileira com registro na Agência.

A Ancine deveria receber uma série de documentos para, então, publicar um ofício permitindo à representação diplomática emitir passaporte de trabalho para os profissionais estrangeiros. "No caso do filme em questão não houve qualquer comunicação ou autorização", afirmou em nota a agência.

A reportagem revela ainda um possível calote a um café que serviu de set de gravações para o filme. A locação seria de R$ 5 mil que nunca foi pago. Os problemas de pagamento causaram estranhamento uma vez que Mário Frias queria dar um "ar hollywoodiano" ao filme, com equipe caríssima, mas sofreu dificuldades em honrar pagamentos no Brasil.

Orçamento milionário
Na última quarta-feira (13), o mesmo veículo vazou um áudio do senador Flávio Bolsonaro que cobrava de Daniel Vorcaro o restante do pagamento prometido para bancar o longa, em torno de R$ 134 milhões. Na última sexta-feira, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro comentou o episódio e afirmou que o filme tinha outros financiadores.

"Tava chegando no final desse contrato, nós iríamos perder o diretor de Hollywood quando surgiu a possibilidade de um grande investidor vir a nos ajudar a fazer o filme, que depois acabou sendo com vários investidores", disse Eduardo em vídeo publicado nas redes sociais.

Com as últimas revelações, o financiamento de Vorcaro e as emendas parlamentares destinadas ao filme entraram na mira da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal. O Correio procurou a Ancine e a produtora GO UP Enterteinment, mas até a publicação desta matéria, mas não houve resposta. O deputado Mário Frias (PL-SP) não comentou as acusações.

Mais de Política

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas