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10 anos do Impeachment: de que lado estão os deputados pernambucanos que votaram contra Dilma

O deputado pernambucano Bruno Araújo emitiu o 342º voto, que aprovou à abertura do processo, e acabou se tornando ministro das Cidades durante o governo Temer

Mariana de Sousa

Publicado: 20/04/2026 às 04:00

No centro, o então deputado federal pernambucano Bruno Araújo, após proferir o voto decisivo que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No centro, o então deputado federal pernambucano Bruno Araújo, após proferir o voto decisivo que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A aprovação da admissibilidade do pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff completou 10 anos na última sexta-feira, 17 de abril. Na época, 367 deputados federais votaram “sim” para o início do processo, enquanto 137 votos foram contrários. Dos 25 deputados pernambucanos, 18 foram favoráveis e seis foram contra, além de uma abstenção. Em análise, o cientista político Hely Ferreira destaca a fragilidade da democracia durante o período que levou à cassação do mandato da presidente.

“Embora o impeachment seja legítimo e qualquer governo se diz democrático principalmente no presidencialismo, se vê de forma muito clara que muitas vezes, é prejudicial quando nós temos um governo presidencialista”, avalia.

Passada uma década, o cenário político passou por mudanças, incluindo a presença de então parlamentares na Câmara Federal que votaram no processo contra a petista, integrando a base do aliado de Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em 2016, Pernambuco tinha seis deputados do PSB: Danilo Cabral, Fernando Coelho Filho, Gonzaga Patriota, João Fernando Coutinho, Marinaldo Rosendo e Tadeu Alencar. Na época, todos esses votaram à favor no início do processo que cassou o mandato de Dilma Rousseff.

Na época, o então governador de Pernambuco Paulo Câmara e vice-presidente nacional do PSB, exonerou temporariamente quatro secretários de estado que eram deputados federais licenciados para garantir os votos a favor do impeachment.

Passados os anos, o próprio Câmara afirmou que o posicionamento do partido quanto ao impeachment foi um "erro histórico" e que o PSB se equivocou.

Na análise do cientista político Hely Ferreira, o que chama a atenção é a posição de Câmara, ao falar que a legenda teria se equivocado, enquanto os deputados do PSB que votaram a favor não emitiram uma nota dizendo que estavam arrependidos. “Quando você nunca se pronuncia com relação a isso, significa que você concorda com o que fez para a época”, aponta.

PSB COM PT

Hoje, a legenda liderada nacionalmente por João Campos integra a base do Governo Lula, tendo entre seus filiados o vice-presidente do Brasil Geraldo Alckmin, além do então deputado Tadeu Alencar, que hoje ocupa o cargo de ministro do Empreendedorismo.

Outro parlamentar pernambucano que foi favorável ao impeachment na época, foi o atual ministro de Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD).

“Nesse aspecto, vemos que traição em política é uma questão de tempo. Você vê que hoje pessoas aliadas ao governo federal, no passado, estiveram contra Dilma Rousseff, e vice-versa”, avalia Ferreira.

CONTRÁRIOS

Ainda entre os ex-deputados pernambucanos que hoje ocupam pastas estão a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações Luciana Santos (PCdoB) e o ministro da Previdência Wolney Queiroz (PDT), esses por outro lado votaram contra o processo contra a presidente Dilma Rousseff. O pai do ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos) também no Governo Lula, o ex-deputado Silvio Costa, também votou “não”.

MAIS FAVORÁVEIS

Atualmente compondo a base da governadora Raquel Lyra (PSD), os ex-deputados federais Daniel Coelho (PSD), Kaio Maniçoba (PP), que foram secretários na gestão, também votaram “sim” para o início do processo, além dos que seguem na Câmara, Pastor Eurico (PSDB) e Mendonça Filho, que recentemente se filiou ao PL, partido liderado atualmente por Flávio Bolsonaro.

Também integrante do bloco pró-Raquel, o deputado estadual Jarbas Filho (PSD), é filho do ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos, que exerceu em 2016 o cargo de deputado federal pelo estado e votou “sim” para a admissibilidade do impeachment.

Na direita, entre os votos pernambucanos favoráveis esteve Anderson Ferreira, que anos depois se tornou prefeito de Jaboatão, disputou o Governo em 2022 e hoje se coloca como um dos principais nomes para disputar o Senado em 2026, aliado ao bolsonarismo em Pernambuco.

O "SIM" HISTÓRICO DE BRUNO

O deputado pernambucano Bruno Araújo emitiu o 342º voto, que aprovou à abertura do processo, e acabou se tornando ministro das Cidades durante o governo Temer. “Da minha voz saiu o grito de esperança de milhões de brasileiros. Carrego comigo nossas histórias que lutam pela liberdade e pela democracia. Por isso eu digo ao Brasil: Sim para o futuro”, discursou na Câmara.

O especialista destaca que com a traição na política, em questão de tempo se percebe que decisões políticas estão muito mais voltadas para projetos pessoais. “Não é por acaso que muitos que votaram pelo processo de impeachment, depois foram agraciados com algum tipo de benefício no governo sucessor. Não faz bem à democracia é o jogo da conveniência”.

Dentre os nomes de Pernambuco que seguem na Casa Baixa do Congresso Nacional após uma década, Augusto Coutinho (Republicanos) e Eduardo da Fonte (União Progressista), hoje pré-candidato ao Senado, foram favoráveis à abertura do processo de impeachment e hoje atuam de forma independente.

Além desses, sete parlamentares na época também integraram a votação que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff, mas deixaram o legislativo, sendo desse número três favoráveis: Betinho Gomes, Jorge Côrte Real e Marinaldo Rosendo; três contra: Adalberto Cavalcanti, Ricardo Teobaldo e Zeca Cavalcanti; uma abstenção de Sebastião Oliveira.

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