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Política
Lideranças políticas

Especialistas analisam o perfil de lideranças políticas do PSB

O ex-prefeito do Recife João Campos renunciou ao cargo de gestor da capital pernambucana para entrar na corrida como pré-candidato ao governo do estado

Amanda Medeiros

Publicado: 02/04/2026 às 21:54

João Campos (PSB)/Foto: Rafael Vieira/DP

João Campos (PSB) (Foto: Rafael Vieira/DP)

Com 5 anos e 3 meses à frente da Prefeitura do Recife e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), João Campos renuncia ao cargo de gestor da capital pernambucana para entrar na corrida como pré-candidato ao governo do estado – deixando o posto para o seu vice, Victor Marques (PCdoB).

O período de mudanças simboliza a permanência e a duradoura presença do PSB no Recife e em Pernambuco, marcada não apenas por João, mas também por outros gestores psbistas que o antecederam nos últimos 15 anos: Eduardo Campos (governador de 2007 a 2014), Paulo Câmara (governador de 2015 a 2022), Geraldo Júlio (prefeito de 2013 a 2020) e João Campos (2021 a 2026).

Os nomes delineiam um perfil semelhante, marcado por características recorrentes: homens, casados, com formação universitária e perfil administrativo – como economistas e engenheiros. Nesse sentido, Victor Marques, embora não seja da mesma legenda de João, apresenta traços semelhantes aos dos demais gestores: um homem jovem, casado, com inclinação administrativa e histórico familiar na política.

Sob uma perspectiva histórica, embora esse formato não seja originário do partido, a cientista política Priscila Lapa afirma que “os nomes mais competitivos e mais fortes, que participam dos processos eleitorais e com sucesso, tem muito um perfil de serem políticos mais jovens”.

De acordo com o cientista político Alex Ribeiro, o PSB estruturou, ao longo do tempo, um perfil relativamente característico de suas lideranças, especialmente no período mais recente: “Dentro do campo da sociologia política, na legenda predominam políticos com formação acadêmica consolidada, vindos de segmentos urbanos e com acesso ao aparelho estatal”.

Lapa diz que se trata de um partido de esquerda que se formou historicamente em um meio intelectual e universitário – uma legenda que sempre contou com uma elite pensante na formação de sua base intelectual.

“É um tipo de quadro que valoriza planejamento, eficiência administrativa e uma atuação mais equilibrada no campo ideológico. Além disso, não é incomum encontrar trajetórias vinculadas a famílias políticas ou iniciadas ainda cedo na vida pública”, complementa Alex.

O cientista explica que, no governo de Miguel Arraes, fundador do PSB e avô de João Campos, houve o fortalecimento da base social e a ampliação do alcance popular da legenda. Esse perfil ganhou nova configuração com Eduardo Campos, responsável por imprimir uma dinâmica mais moderna e orientada à gestão. Atualmente, atores políticos como João Campos traduzem esse arranjo, combinando continuidade política, domínio institucional e estratégias de comunicação mais atuais.

Em Pernambuco, esse padrão se apresenta de forma mais consistente, dada a capilaridade histórica do partido.

No entanto, Priscila Lapa ressalta que o PSB já não é exatamente o mesmo de antigamente, na época de Miguel Arraes, quando era “um partido de massas”. “Com o tempo ele (PSB) foi perdendo espaços nesse protagonismo para outros partidos de esquerda, mas continua tendo uma conexão social, justamente pelas bandeiras e pela forma como ele estrutura as candidaturas”.

Segundo os especialistas, esse modelo administrativo pode gerar gestões mais organizadas, “mas também pode provocar certo afastamento simbólico em relação à população, impactando os níveis de identificação política e mobilização social”, diz Alex.

 

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