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Eleições 2026

"Movimento direto da oposição, bateu o desespero", diz Daniel Coelho sobre ataques contra Raquel

Secretário de Raquel Lyra, Daniel Coelho fez referência ao caso de Gustavo Monteiro, assessor de João Campos (PSB), na Prefeitura do Recife. Oposição ao governo acusou a Polícia Civil de "espionagem" contra o secretário municipal

Mariana de Sousa

Publicado: 27/01/2026 às 13:57

Pré-candidato a deputado federal e secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Daniel Coelho (PSD), em visita ao Diario nesta terça (27)/Foto: Rafael Vieira/ DP Foto

Pré-candidato a deputado federal e secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Daniel Coelho (PSD), em visita ao Diario nesta terça (27) (Foto: Rafael Vieira/ DP Foto)

O pré-candidato a deputado federal e secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Daniel Coelho (PSD), disse, em visita ao Diario, nesta terça (27), não ter dúvidas de que os mais recentes ataques contra o governo Raquel Lyra (PSD) partem diretamente da oposição e fazem parte de uma estratégia política diante do avanço da governadora nas pesquisas e no cenário eleitoral de 2026.

Esta semana, uma investigação da Polícia Civil contra um aliado de João Campos (PSB), na Prefeitura do Recife, virou mais um capítulo da prévia eleitoral para a disputa ao governo. 

A oposição chamou de "espionagem" a investigação e o rastreamento do secretário Gustavo Monteiro, chefe da articulação política. A administração de Raquel disse que essa narrativa era "falsa". 

“Sem nenhuma dúvida, é um movimento direto da oposição. É um movimento político. Isso é compreensível, a gente entende. Mas é ataque, porque bateu um desespero mesmo, porque estava caindo, porque tinha perdido a narrativa”, disse Daniel, em entrevista ao Diario.

Segundo Coelho, o campo oposicionista, liderado por João Campos, vinha dominando a narrativa política no estado até o ano passado, mas perdeu espaço nas redes sociais e na opinião pública.

Para Daniel, esse enfraquecimento teria levado os aliados do prefeito a impulsionarem a ofensiva contra a gestão estadual.

“João Campos era tratado como eleito no primeiro turno. Isso era o que se dizia nas ruas, na imprensa, entre políticos e na população. Hoje, não tem instituto que não diga que João está caindo e Raquel subindo. Isso gerou desespero”, afirmou.

Para o secretário, a eleição em Pernambuco já está polarizada entre Raquel Lyra e João Campos e que não há espaço real para uma terceira via competitiva. “A eleição foi antecipada exatamente por uma polarização natural. Já existe um candidato muito consolidado no campo da oposição. Não vejo espaço para outro”, opinou.

Coelho criticou o que chamou de tentativa de transformar investigações legítimas em ataques eleitorais. “A governadora está sendo acusada de quê? De investigar corrupção com a Polícia Civil dela? Não tem problema. Isso é prerrogativa da Polícia Civil. Agora, criar narrativa de perseguição é fake news em cima de meia-verdade”, declarou.

Comparações

De acordo com Daniel, que integra a base de Raquel, a campanha em 2026 será baseada no comparativo entre modelos de governo. “Não é campanha de ataque pessoal, é de comparação. Como é que estavam as estradas quando o PSB entregou Pernambuco para Raquel em 2023? Como estava a segurança pública? A saúde? A gente vai mostrar o que era e o que é hoje. “A população vai julgar e, na comparação dos modelos, eu não tenho dúvida de que caminha com Raquel”, afirmou.

Coelho ainda lembrou que João Campos foi chefe de gabinete do ex-governador Paulo Câmara e, portanto, não pode se descolar do legado do PSB no estado. “Ele era o assessor mais importante de Paulo Câmara. Não era um estranho ao governo. Então, a gente vai comparar os modelos”.

Daniel também defendeu que Raquel Lyra rompeu com práticas antigas da política pernambucana, o que teria gerado uma reação de setores do sistema político. “Ela prometeu um governo técnico, sem entregar o estado a negociatas partidárias, e cumpriu. Todo processo de mudança gera reação. O sistema reagiu”.

Na Assembleia Legislativa, ele afirmou que, apesar das dificuldades com a mesa diretora, o governo já tem maioria e que a base tende a crescer até a eleição. “Hoje a gente já tem cerca de 30 parlamentares firmes na base. A oposição tenta prejudicar com manobra regimental, mas não vence mais votação”.

Sobre sua própria candidatura, Daniel disse que será candidato a deputado federal em 2026 e que pretende deixar a Secretaria de Meio Ambiente em abril, no prazo legal. “Vou me dedicar integralmente à campanha a partir de abril. Até lá, sigo concentrado nas ações da secretaria”, confirmou.

Coelho já conta com apoios como o da prefeita de Olinda, Mirella, e de lideranças na Região Metropolitana. “Sempre fui muito votado em Olinda. Isso reforça a nossa candidatura. Tenho parcerias em Recife, Jaboatão e outros municípios”.

Acusação de espionagem

Os aliados de João Campos  fizeram denúncias de um suposto esquema de monitoramento político, apontando a Polícia Civil como responsável por utilizar um grupo informal de mensagens e o rastreamento de veículos para acompanhar os deslocamentos do Secretário de Administração, Gustavo Monteiro, chamada de “espionagem” pela oposição ao governo estadual.

O governo do estado, por meio da Secretaria de Defesa Social (SDS), rebateu as acusações e justificou que as diligências foram procedimentos preliminares padrão para apuração de uma denúncia anônima. 

A Polícia Civil confirmou que houve monitoramento e informou que a apuração teve início a partir de uma denúncia de suposto recebimento de propina por parte de Monteiro. Segundo a corporação, o foco da investigação era um veículo da frota da Prefeitura do Recife utilizado pelo secretário.

De acordo com a gestão de Raquel Lyra (PSD), o caso foi arquivado por ausência de indícios de crime e a atuação policial foi estritamente técnica, sem motivação política. O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, ainda disse ser falsa a narrativa de espionagem, em coletiva de imprensa na última segunda (26).

A oposição do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) já se mobilizou para solicitar que a Polícia Federal assuma as investigações, alegando falta de isenção nos órgãos estaduais. 

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