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João Campos critica pedido de Impeachment após polêmica de concurso: "oportunismo político"

O prefeito João Campos afirmou que o pedido de Impeachment faz uso político da causa da pessoa com deficiência (PCD), a qual ele considera que tem um cuidado especial

Guilherme Anjos

Publicado: 07/01/2026 às 15:34

Prefeito do Recife, João Campos/Foto: Marina Torres/DP Foto

Prefeito do Recife, João Campos (Foto: Marina Torres/DP Foto)

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), chamou de “oportunismo político” o pedido de Impeachment protocolado pela oposição na Câmara dos Vereadores na última segunda-feira (5), sob as acusações de crime de responsabilidade e atos de improbidade administrativa após a decisão polêmica, já recuada, que alterou o resultado de um concurso público.

Campos inaugurava a primeira etapa do Parque Alagável Campo do Sena, no bairro do Barro, Zona Oeste da capital pernambucana, nesta quarta-feira (7), quando quebrou o silêncio sobre o Impeachment.

“Chega ano eleitoral, nossos nomes aparecem de forma importante nas pesquisas, e algumas pessoas acham que é o jogo do vale-tudo. Não é assim. Vou tratar tudo com seriedade e com respeito. O povo do Recife me conhece e sabe”, disse o prefeito, reconhecendo sua projeção como candidato ao governo de Pernambuco nas eleições deste ano.

“Tenho absoluta confiança na Câmara dos Vereadores que não vai se deixar levar por uma irresponsabilidade eleitoral”, acrescentou.

O autor do pedido de Impeachment é o vereador Eduardo Moura (Novo), um dos principais opositores de João Campos na Câmara Municipal, e cujo nome aparece de forma recorrente nas pesquisas para o governo. Apesar disso, ele não lançou pré-candidatura ao Executivo, e se especula que ele disputará uma vaga na Câmara dos Deputados.

No texto, ele alega que o prefeito teria infringido a Lei de Improbidade Administrativa e o Decreto-Lei 201, que trata de crimes de responsabilidades de prefeitos, dispositivos da Lei Orgânica do Recife.

“Há um oportunismo político e eleitoral claro nisso. Hora nenhuma nesse debate se falou que era uma disputa administrativa entre dois candidatos com deficiência: um com autismo, com laudo da Justiça Federal do Trabalho, e outro com deficiência física”, disparou João Campos, voltando a abordar a polêmica do concurso.

No dia 23 de dezembro, o prefeito nomeou Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador municipal ocupando uma vaga destinada para pessoas com deficiência após ele apresentar um laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) emitido pela Justiça Federal do Trabalho.

O atestado, no entanto, foi apresentado dois anos após a realização do certame, aplicado em 2022, para o qual Silva havia se inscrito para disputar as vagas de ampla concorrência. Ele ficou na 63ª posição. Com a nomeação, Silva passaria na frente do candidato Marko Venício dos Santos Batista, que havia se classificado para a vaga.

A polêmica ganhou mais proporção devido ao fato de Silva ser filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e de um juíz do Tribunal de Justiça (TJPE).

“Todo esse debate se deu entre duas pessoas com deficiência. Uma decisão administrativa reconhecendo o direito de uma pessoa que tem autismo, e de uma pessoa com deficiência física que se sentiu prejudicada, entrou com um pedido de reconsideração, e que de forma imediata foi analisado e deferido pela procuradoria. Agora, será discutido na Justiça quem tem direito”, declarou.

O prefeito afirmou que o pedido de Impeachment faz uso político da causa da pessoa com deficiência (PCD), a qual ele considera que tem um cuidado especial. “A causa PCD é uma causa de vida que eu tenho. Tenho um irmão com Síndrome de Down, que amo muito e sei bem como é importante termos o cuidado relativo a isso”, afirmou.

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