Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Opinião
Casa Caiada e Bairro Novo

João Hélio Mendonça
Professor universitário e antropólogo

Publicado em: 29/01/2020 03:00 Atualizado em: 29/01/2020 08:44

Casa Caiada e Bairro Novo são dois bairros olindenses conhecidíssimos e de grande importância na cidade. Duas localidades, beira-mares, que são hoje, essencialmente residenciais e em torno dos seus desenvolvimentos passaram por muitas funções e transformações. Exerceram e exercem grande influência na história e funcionamento de Olinda, salientando-se, atualmente, nos setores imobiliário e comercial. Não são áreas novas ou recentes como muitos pensam, e não resultaram da grande expansão demográfica e imobiliária presente. São localidades que já existiam com suas respectivas alcunhas há muitas décadas. Na verdade, a denominação Casa Caiada já é registrada no Século 19. Casa Caiada foi nome de um sítio que em 1874, era de propriedade do Sr. José Francisco Belém e naquele ano, ele procurava arrendar ou vender este dito sítio, conforme está anunciado no Diario de Pernambuco da época, segundo registro da historiadora Rita de Cassia B. de Araújo, no livro As Praias e os Dias. Já a designação Bairro Novo apareceu como resultado do parcelamento em lotes de sítios próximos à praia e chamados de São José e São João de Rio Tapado, a partir da década de 1930. Assim, esta nova área loteada, passou a ser chamada de Bairro Novo, a partir de então. Casa Caiada e Bairro Novo foram pontos importantes de veraneio no século 20. Era comum famílias do Recife e de outras cidades passaram o veraneio nesses dois lugares. As casas, então rareavam, eram espalhadas e ilhadas por terrenos e sítios baldios. O veraneio era hábito muito praticado no país e significava passar o verão e as férias fora. Haviam muitas praias com casas para alugar de veraneios, no próprio Recife e em Olinda. A força das transformações sociais, reduzindo a disponibilidade de tempo, o aparecimento de novas formas de lazeres como clubes e condomínios de campos, e a popularização das viagens turísticas, reduziram os veraneios. Hoje, esses bairros experimentam grande processo de verticalização, expansão e aceleração imobiliária. Seu crescimento demográfico tem sido muito rápido, a começar da década de 1970, quando superou 200 mil habitantes. Agora, os bairros, antes ocupados por sítios, praias, coqueirais e chácaras, contam com vários colégios, hospitais, shopping centers, supermercados, farmácias, prédios públicos e muitos serviços. Esses dois bairros possuem vida própria, sem deixar de serem praieiros, pois ainda têm suas praias como pontos importantes de banho de mar, sobretudo, nos domingos e feriados com seus banhos, barracas, caldinhos, passeios e ciclovias. Vale salientar, o depoimento de seus habitantes tradicionais, que sempre demonstram prazer e gostam da residência nesses bairros. Não tratamos nesse texto, nem do Sítio Histórico de Olinda, com monumentos desde o século 16, nem dos seus bairros mais recentes, resultantes da expansão demográfica, a partir dos meados do século 20, tipo: Jatobá, Ouro Preto, Jardim Brasil e outros. Para esclarecimentos e conhecimento sobre o Sítio Histórico é imperativo: consultar  Olinda - 2º Guia Prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira de Gilberto Freyre. Segundo: visitar o próprio sítio, e estando lá, nunca deixar de ouvir os sinos de suas igrejas, e olhar para o seu mar, de um dos seus altos. 

Putin anuncia vacina com imunidade duradoura
Rhaldney Santos entrevista o pré-candidato à prefeitura de Jaboatão Arnaldo Delmondes
Enem para todos com professor Fernandinho Beltrão
De 1 a 5: entenda as diferenças entre os tipos de exames para a Covid-19
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco