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Brasil é foco de campanha da Gucci a favor da causa transgênero

Por: AE

Publicado em: 13/10/2019 11:24

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"Meu coração lateja o tempo todo. Você sempre me disse que queria ser sepultada e não sei como se sentiria se soubesse que eles queimaram seu corpo. Como se lida com uma coisa dessa? Mas espero que você saiba que sua passagem neste mundo transformou a vida de muitas pessoas", escreve Gabe Passareli em carta à irmã Matheusa, transexual e militante da causa LGBT que foi morta em abril de 2018. O texto faz parte da revista Chime, iniciativa da grife italiana Gucci que, em sua 2.ª edição, tem o Brasil como foco.

Outro destaque da publicação, definida pela Gucci como um zine - livreto de pequena circulação produzido por entusiastas de uma cultura particular -, é um texto assinado por Liniker, uma das principais vozes do ativismo pela igualdade de gênero no Brasil. "Sou uma mulher, uma voz, uma ressonância e um caminho de esperança para dar um novo significado ao meu corpo: trans, negra e viva. Sabemos para onde queremos ir e como queremos viver, mas e o mundo? Está pronto e disposto a nos aceitar?"

A revista será distribuída no Gucci Garden, em Florença, na livraria Gucci Wooster Bookstore, em NY, e em livrarias selecionadas em todo o mundo. A versão digital, disponível em português, pode ser baixada em chime.gucci.com.

O zine faz parte do projeto Chime for Change, que a Gucci lançou em 2013, com Beyoncé e Salma Hayek como embaixadoras, para unir e fortalecer os defensores da igualdade de gênero. A iniciativa, que atua em 89 países, já levantou US$ 15 milhões e beneficiou mais de 570 mil mulheres. Em 11 de outubro - data declarada pela ONU como Dia Internacional da Menina para marcar os progressos na promoção dos direitos das jovens mulheres -, além do zine, foram lançados o curta Sitara e a campanha Let Girls Dream.

Dirigido pela cineasta paquistanesa Sharmeen Obaid-Chinoy, ganhadora de 2 Oscars e 6 Emmys e conhecida por seu trabalho em filmes que destacam a igualdade de gênero, o curta conta a história de jovem de 14 anos cujo sonho de ser piloto é desfeito quando é forçada a se casar. É, de certo modo, a mesma história de 12 milhões de jovens garotas vítimas de casamento infantil a cada ano em todo o mundo. A campanha incentiva a dividir sonhos e visões para um futuro com igualdade de gênero no site letgirlsdream.org e hashtag #letgirlsdream.

A Gucci não é a única grife a dar visibilidade à luta pela igualdade de gênero. Neste mês, a Louis Vuitton apresentou seu desfile na semana de moda de Paris com uma videoperformance da escocesa Sophie, primeira artista trans a ser indicada para o Grammy. Em agosto, a Chanel divulgou a americana Teddy Quinlivan como a primeira modelo trans a estrelar campanha da grife, enquanto a brasileira Valentina Sampaio era anunciada como a primeira modelo trans da Victoria's Secret.

Na São Paulo Fashion Week, que começa neste domingo, 13, a cantora trans Majur abre o desfile da volta da Ellus ao evento. O universo da moda está prestando atenção à questão da igualdade de gênero. O Brasil, país que mais mata transexuais no mundo, segundo dados da ONG Transgender Europe divulgados em novembro, poderia aprender algo com esse movimento.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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