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Notícia de Economia

CRISE

Coronavírus: quedas na bolsa de valores colocam investidores na corda bamba

Publicado em: 16/03/2020 07:03

 (Foto: AFP / Saeed KHAN)
Foto: AFP / Saeed KHAN
A semana foi um verdadeiro teste cardíaco para mais de 1 milhão de pequenos investidores que entraram na Bolsa de Valores nos últimos dois anos. O mecanismo de circuit breaker, quando as operações são suspensas por quedas muito expressivas, chegou a ser acionado quatro vezes em dois dias, algo nunca visto antes. Duas paradas das negociações no mesmo dia não eram registradas desde a crise de 2008. Essa está sendo a primeira crise com grande escalada de pessoas físicas no mercado de ações.

O botão de emergência tem um passado não muito distante, havia sido acionado pela última vez no Joesley Day em 2017, quando veio à tona a delação do sócio da JBS, Joesley Batista. Mas dessa vez o pânico é global, provocado pelas projeções dos efeitos que a pandemia do novo coronavírus terá na economia real e a queda de braço entre sauditas e russos sobre o preço do petróleo. A queda semanal de 15,63% foi o pior desempenho para o período desde 2008, e o índice que bateu na trave dos 120 mil pontos em janeiro, hoje está em 82.678 pontos. As empresas listadas na B3 já perderam mais de R$ 1 trilhão em valor de mercado este ano.

No momento em que começou a sequência de quedas expressivas na volta do feriado de carnaval, a consultora de marketing digital, Fernanda Freitas, 38 anos, se desfez dos papéis que apresentavam maiores baixas. “Deixei apenas as ações de uma empresa que paga dividendos, justamente já pensando em mais possíveis quedas. Agora, estou só monitorando as poucas ações que deixei, desde o início da semana já não compensaria nem mais vender elas, eu perderia mais dinheiro”, analisa.

Fernanda resolveu testar a Bolsa em novembro para diversificar os investimentos do Tesouro Direto, prejudicados pela queda da Selic, mas se surpreendeu com a reviravolta do cenário. “É como um cassino, por mais que os analistas façam projeções, é tudo muito incerto. Acredito que alguma hora o mercado reagirá, eu espero um dia recuperar, pelo menos, o valor que eu paguei”, diz.

O sócio da Monte Bravo Investimentos Bruno Madruga pede paciência aos novos investidores, já que a única certeza do mercado de ações é a volatilidade. “O histórico de investimentos em ações mostra casos recentes: o Joesley Day, depois a questão da greve dos caminhoneiros. Em todos esses momentos, tivemos uma queda forte da Bolsa, que, posteriormente, se acomodou. O brasileiro tem que entender que, ao investir em ações, ele se torna sócio da empresa, de uma forma mais democrática. É a menor participação que pode existir. E se tornando acionista é preciso buscar a melhor estratégia de acordo com seu perfil, se será em uma única empresa ou um portfólio de ações”, destaca.

Vacina 

O economista e sócio da G2W Investimentos Mauro Chuairi afirma que para entrar no mercado de ações é preciso estar vacinado. “O brasileiro estava acostumado a deixar o dinheiro parado no banco, e todo mês olhava e tinha aumentado um pouquinho, um perfil de DNA conservador. Tanto que, a quantidade de dinheiro de pessoas físicas nos bancos é, praticamente, 75% na poupança e o restante na renda fixa. Mas essa mudança já aconteceu no mundo inteiro e agora está acontecendo aqui. Quem tem um acesso melhor já entendeu que a renda fixa, hoje, não vai multiplicar seu patrimônio. Isso porque considerando inflação e quedas na Selic, esse rendimento caiu para zero”, explica.

Com a grande saída de capital estrangeiro, Mauro destaca que quem bancou a subida da Bolsa foi justamente essa explosão de pessoas físicas. “Uma hora ou outra, as pessoas serão obrigadas a entender a oscilação, e a principal dica é mudar a forma com que você monitora seu patrimônio, pensar a longo prazo e entender essa volatilidade”, pontua.

Oportunidade

Mesmo com um cenário que parece assustador, é possível observar uma grande mudança de comportamento de investidores que bancam o mercado secundário de compra e venda. Na segunda-feira passada, quando o Ibovespa fechou em baixa de mais de 12%, os investidores pessoa física compraram o equivalente a R$ 6,57 bilhões em ações e venderam R$ 4,91 bilhões. Na quarta-feira, quando o índice voltou a cair, com direito a mais um circuit breaker fechando em baixa de 7,64%, eles continuaram apostando na Bolsa. Nesse dia, foram aplicados R$ 6,15 bilhões e resgatados R$ 4,45 bilhões, um saldo líquido R$ 1,7 bilhão segundo a B3.

O servidor público Luiz Fernando Braz, 34 anos, seguiu a escala de maiores rendimentos e risco, saindo da poupança para o Tesouro Selic e partindo para a renda variável em novembro do ano passado, com a compra de fundos imobiliários e ações na Bolsa. “Meu investimento é de longo prazo, pensando em uma aposentadoria, e eu acredito no crescimento do país como um todo. Se não tivesse buscado ajuda de analistas, certamente, eu estaria desesperado, mas acabei vendo como uma excelente oportunidade para comprar ativos de ótimas empresas”, revela.

Para o gestor de investimentos da ParMais Alexandre Amorim, as pessoas têm se conscientizado, melhorando bastante a qualidade de seus investimentos. “A gente costuma dizer que a dor da perda é duas vezes maior que a satisfação por ganho, um sentimento bastante potencializado. Mas quem está investindo, sabendo ao certo seu objetivo, não tem motivo para se preocupar, pelo contrário, pode ser justamente o momento de reposicionar sua carteira e comprar mais ações. Não importa quão bom esteja o cenário, sempre haverá quedas mais bruscas, o mercado sobe de escada e desce de elevador. Não há motivo para pânico. Quem tem a carteira bem distribuída de acordo com seu objetivo, como uma aposentadoria, por exemplo, pouco importa se caiu agora, o que importa é a mudança de tendência”, argumenta.

Dicas dos analistas:

»  Não tome nenhuma decisão precipitada. Pense antes de se desfazer de papéis, não se desespere

»  Por maior que seja o susto, tente enxergar seu investimento como um retorno a longo prazo

»  Evite comprar caro nos momentos de valorização e vender barato diante de situações como esta

»  Aproveite a queda para diversificar sua carteira e manter o seu percentual de renda variável

»  Juros e renda fixa não conseguem mais multiplicar o patrimônio, para ter um rendimento maior é preciso estar suscetível à volatilidade
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