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Bloco de Netanyahu lidera eleições de Israel, mas não alcança maioria

Bloco da oposição liderado pelo centrista Gadi Eisenkot conseguiu 48 cadeiras das 120 que compõem o Parlamento israelense

AFP

Publicado: 30/10/2026 às 10:37

Se as tentativas de formação de governo fracassarem, Israel poderá voltar às urnas no início de 2027/Menahem Kahana/AFP

Se as tentativas de formação de governo fracassarem, Israel poderá voltar às urnas no início de 2027 (Menahem Kahana/AFP)

O bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu superou o da oposição nas eleições em Israel, mas ficou longe da maioria necessária para manter o controle do Parlamento, segundo os resultados finais do pleito publicados nesta sexta-feira (30), o que inicia um período de negociações difíceis para a formação do governo.

A coalizão de direita e extrema direita de Netanyahu obteve 53 cadeiras das 120 que compõem o Knesset (Parlamento israelense), e o Likud, do primeiro-ministro, continua sendo o partido mais votado, com 27 deputados. O bloco da oposição liderado pelo centrista Gadi Eisenkot conseguiu 48 cadeiras.

As eleições de terça-feira (27) foram as primeiras desde o ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023. O pleito foi marcado pela maior taxa de participação desde 1999, com 77%.

Os resultados revelam um avanço espetacular dos dois partidos árabes, Raam e a Lista Unificada, que somam 19 cadeiras e despontam como possíveis definidoras do futuro governo.

Esses partidos foram alvo de acusações de fraude eleitoral difundidas pelo campo de Netanyahu. Autoridades e meios de comunicação afirmaram que há suspeitas de que eles teriam recebido recursos do Catar para financiar a compra de votos.

As formações árabes, assim como o Catar, rejeitaram essas acusações, e Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, acusou Netanyahu de tentar “deslegitimar os resultados”.

Suspeita de irregularidades sob investigação

O serviço de inteligência interna (Shin Bet) indicou que estava investigando suspeitas de irregularidades, ao mesmo tempo em que afirmou que essa apuração não busca “incriminar toda uma comunidade que votou de maneira democrática e legal”.

Sem fazer referência explícita às acusações difundidas pelo campo do primeiro-ministro contra os partidos árabes, o órgão eleitoral afirmou na quinta-feira que “determinadas informações que circularam carecem completamente de fundamento”.

“A investigação continua em paralelo ao processo conduzido pela Comissão Eleitoral Central. Ela não terá nenhum impacto sobre os resultados finais que serão entregues ao presidente”, acrescentou.

A contagem final será entregue oficialmente na quarta-feira ao presidente Isaac Herzog, que então iniciará um processo de consulta com os líderes dos partidos representados na próxima Knesset antes de designar um deles para tentar formar um governo, indicou a Comissão Eleitoral.

A falta de maioria nesta etapa prenuncia negociações difíceis que podem durar semanas. Em caso de fracasso, o país poderá ter novas eleições, como já ocorreu diversas vezes ao longo de sua história.

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