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Trump afirma que não vai se envolver no caso de Flávio Bolsonaro e descarta apoio ao senador

Presidente norte-americano afirmou que se dá bem com Lula e evitou apoiar a contestação jurídica do senador brasileiro; bastidores indicam atuação de Washington para suavizar carta do parlamentar

Isabel Alvarez

Publicado: 29/10/2026 às 15:59

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca/Divulgação/Casa Branca

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca (Divulgação/Casa Branca)

O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que não vai se envolver na situação do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que viajou para os Estados Unidos após ter a prisão preventiva evitada e o passaporte retido por determinação judicial. Flávio chegou a se declarar o "verdadeiro presidente do Brasil" em uma carta divulgada nas redes sociais, para depois corrigir o termo e intitular-se "líder do Brasil".

"Não vou me envolver", declarou Trump, descartando endossar formalmente os planos de contestação jurídica ou o teor do manifesto publicado pelo parlamentar.

Segundo revelaram fontes sob condição de anonimato à imprensa internacional, houve atuação nos bastidores diplomáticos dos Estados Unidos após a publicação da primeira versão do texto. O objetivo foi fazer com que Flávio retirasse a expressão "presidente eleito" e a substituísse por "líder do Brasil".

A diplomacia norte-americana agiu rápido para evitar que o tratamento formal ao senador inviabilizasse as relações institucionais de Washington com o governo oficial do Brasil, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, aliados próximos da família Bolsonaro, como o jornalista Paulo Figueiredo, negaram que tenha havido exigência formal por parte das autoridades norte-americanas.

A primeira versão do texto gerou forte repercussão negativa e foi rejeitada por importantes lideranças da oposição e pelo próprio Partido Liberal, sigla do senador, que já havia reconhecido o resultado das urnas.

Trump se limitou a declarar que o pleito brasileiro teria sido "uma eleição estranha e vergonhosa". Em manifestações anteriores, sem apresentar provas, o presidente norte-americano mencionou de modo ambíguo que o processo de apuração teria deixado uma "impressão terrível", sugerindo falhas no pleito. Paralelamente, ressaltou manter uma boa relação com o presidente eleito do Brasil: "Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula, me dou muito bem com ele".

Entrada nos Estados Unidos e investigações no Brasil

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que Flávio Bolsonaro e sua família foram submetidos ao controle migratório de praxe e admitidos no país em conformidade com as leis em vigor. Flávio obteve visto durante a administração de Trump, aliado político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Brasil, o parlamentar é investigado em diferentes frentes por suspeitas de corrupção, evasão de divisas, lavagem de capitais e ocultação de patrimônio. Após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte do senador ao Tribunal Superior Eleitoral, argumentando risco de fuga. A determinação foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Contudo, o parlamentar descumpriu a ordem e deixou o país. A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da saída de Flávio do território nacional.

Posição da comunidade e das missões internacionais

A auditoria e o acompanhamento do pleito contaram com a presença oficial de missões internacionais autorizadas pela Justiça Eleitoral, incluindo a Organização dos Estados Americanos, o Observatório da Democracia do Parlamento do Mercosul e a União Europeia.

As missões de observação que acompanharam o segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade, elogiando a capacidade técnica e a transparência da Justiça Eleitoral brasileira. A comissão da Organização dos Estados Americanos, entidade que reúne 35 países do continente, foi a maior e mais abrangente entre as que atuaram no país.

A entidade ressalvou apenas ter recebido denúncias sobre dificuldades no transporte gratuito de eleitores em diversos estados, como atrasos e restrições na frota de ônibus.

Durante a votação, o pedido de prorrogação do horário de encerramento foi apresentado à Justiça Eleitoral por ambas as coligações concorrentes, por motivos distintos. O Partido dos Trabalhadores solicitou a extensão devido a gargalos no transporte público em diversas regiões. Já os advogados do Partido Liberal pediram a ampliação do horário em razão das fortes chuvas que atingiram estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ao final, a prorrogação contabilizou cerca de 35 mil votos.

De acordo com os dados oficiais consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia 28 de outubro, Lula venceu a disputa com 51,79% dos votos válidos, superando Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21%. O presidente da corte eleitoral, ministro Kássio Nunes Marques, afirmou que a instituição entregou o pleito com total segurança e integridade.

O prestigiado Carter Center, organização sem fins lucrativos sediada em Atlanta, nos Estados Unidos, que atua na observação eleitoral desde 1989, também enviou uma missão de especialistas ao Brasil. A entidade elogiou a eficiência e a rapidez na apuração de mais de 499 mil seções eleitorais. Em declaração oficial em 27 de outubro de 2026, a instituição defendeu o respeito soberano ao resultado das urnas e parabenizou o compromisso do povo brasileiro com a democracia.

"Respeitar a vontade dos eleitores é fundamental para a democracia. Candidatos e seus apoiadores devem respeitar os resultados anunciados. Quaisquer alegações fundamentadas em evidências devem ser encaminhadas pelas vias legais estabelecidas", declarou Jennie Lincoln, assessora sênior do Carter Center para a América Latina e o Caribe e chefe da missão.

A Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa também enviou missão chefiada pela Comissão Nacional de Eleições de Portugal, reunindo representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A Organização das Nações Unidas parabenizou o Brasil pelo processo eleitoral participativo e pacífico, com o secretário-geral António Guterres enviando felicitações oficiais ao presidente eleito. Chefes de Estado de diversos espectros políticos em todo o mundo reconheceram prontamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

No cenário nacional, 21 partidos políticos já reconheceram oficialmente o resultado das urnas, incluindo o próprio Partido Liberal, além do União Brasil, Movimento Democrático Brasileiro, Partido Social Democrático, Republicanos, Partido da Social Democracia Brasileira, Partido Trabalhista Brasileiro, Partido Socialista Brasileiro, Podemos, Avante, Partido Socialismo e Liberdade, Unidade Popular e Partido Causa Operária.

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