Houthis anunciam grande ataque contra a Arábia Saudita
O grupo rebelde acusa os sauditas de intervenção armada e de imporem bloqueios econômicos à região
Publicado: 19/10/2026 às 18:42
Os Houthis negaram ter Meca como alvo e declarou que a acusação era uma mentira repugnante. (Foto: AHMAD AL-BASHA / AFP)
Os rebeldes iemenitas Houthis reivindicaram, nesta segunda-feira (19), o lançamento de uma onda de ataques contra a infraestrutura energética da Arábia Saudita, em meio ao agravamento do conflito com a coalizão militar liderada por Riade, que apoia o governo oficial do Iêmen. O grupo rebelde acusa os sauditas de intervenção armada e de imporem bloqueios econômicos à região.
De acordo com a imprensa internacional, entre os principais alvos do grupo — aliado do Irã — estão aeroportos e instalações militares. As ofensivas teriam atingido, além de estruturas da estatal petroleira Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah e os aeroportos de Riade e Abha.
Em contrapartida, o governo da Arábia Saudita ainda não confirmou o impacto dessas ofensivas.
Preço do petróleo dispara no mercado global
A escalada dos conflitos no Oriente Médio e as ameaças a rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, voltam a colocar em risco a oferta mundial de combustíveis.
O mercado global reagiu imediatamente: os preços do petróleo avançaram nesta segunda-feira (19), atingindo o maior patamar desde maio. O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a US$ 110,30, enquanto o barril do WTI, referência nos Estados Unidos, alcançou a cotação de US$ 102,96. Na semana passada, as cotações do Brent e do WTI já haviam registrado altas de 4,9% e 7,8%, respectivamente.
A suspensão temporária de operações na refinaria russa de Ryazan, após um ataque com drones ucranianos na última sexta-feira, reforçou o receio de escassez no fornecimento e impulsionou a alta das commodities.
Paralelamente, o presidente francês Emmanuel Macron desembarcou no Kuwait, primeira etapa de uma viagem de três dias ao Golfo Pérsico que incluirá também passagens pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Catar. Segundo o Palácio do Eliseu, o objetivo da missão diplomática é mobilizar líderes regionais para garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz, afetada por tensões entre Estados Unidos e Irã.
Conflito ganha força no Iêmen
Além das incursões transfronteiriças, um ataque atribuído aos Houthis atingiu a base militar de Al Alam, na cidade de Shabwa, no centro-sul do Iêmen. O vice-governador da província, Fahad al-Khalifi, confirmou que três mísseis atingiram o acampamento no momento em que militares passavam por treinamento de segurança.
A investida ocorreu em meio a uma contraofensiva das forças governamentais para recuperar territórios sob domínio rebelde. Atualmente, os Houthis controlam vastas áreas no norte, centro e oeste do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa.
Segundo Al-Khalifi, a ofensiva deixou ao menos 50 mortos e mais de 100 feridos, sobrecarregando os hospitais da região. As autoridades locais ressaltaram que o balanço de vítimas ainda é provisório.
Diante do agravamento da crise, o governo de Shabwa apelou ao Conselho Presidencial de Liderança e à coalizão liderada pela Arábia Saudita para o envio urgente de reforços, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e equipamentos de alerta precoce.