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PAM alerta que 500 mil palestinos ficarão sem ajuda devido à falta de recursos

Em comunicado oficial, a agência da ONU fez um apelo para que a comunidade internacional não desvie o olhar do enclave devastado pela guerra

Isabel Alvarez

Publicado: 19/10/2026 às 18:38

Em comunicado oficial, a agência da ONU fez um apelo para que a comunidade internacional não desvie o olhar do enclave devastado pela guerra./AL-QATTAA / AFP

Em comunicado oficial, a agência da ONU fez um apelo para que a comunidade internacional não desvie o olhar do enclave devastado pela guerra. (AL-QATTAA / AFP)

Nesta segunda-feira (19), o Programa Alimentar Mundial (PAM) avisou que precisará reduzir suas operações humanitárias na Faixa de Gaza por falta de recursos, deixando cerca de 500 mil palestinos sem assistência mensal.

Em comunicado oficial, a agência da ONU fez um apelo para que a comunidade internacional não desvie o olhar do enclave devastado pela guerra. "As famílias vivem em condições humanitárias extremamente difíceis, apesar da entrada em vigor do cessar-fogo há um ano. Cerca de 1,4 milhão de pessoas, de um total de 2,1 milhões de habitantes, ainda se encontra em situação de insegurança alimentar aguda e necessita de ajuda humanitária para sobreviver”, declarou Shaun Hughes, diretor do PAM nos territórios palestinos.

A ofensiva israelense em Gaza teve início após os ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.

Em agosto de 2025, a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), mecanismo de avaliação apoiado pela ONU, declarou estado de fome em Gaza. Na ocasião, o governo de Israel contestou a afirmação, classificando o relatório como "inverdadeiro".

Em dezembro do mesmo ano, a ONU declarou que o território já não era considerado em situação extrema de fome, graças ao cessar-fogo estabelecido dois meses antes e à permissão das forças militares israelenses para o aumento do fluxo de ajuda humanitária.

“Desde então, o PAM tem prestado, a cada mês, assistência a aproximadamente 1,6 milhão de pessoas sob a forma de cestas básicas, farinha de trigo, pão, refeições quentes, suporte nutricional, lanches escolares e transferência de renda", detalhou a organização em nota oficial.

Escassez de financiamento impõe cortes

A falta de financiamento internacional, no entanto, impede a manutenção desse nível de apoio. O PAM afirmou ser forçado a diminuir sua ajuda alimentar em cerca de um terço, lamentando que meio milhão de pessoas percam o acesso a itens essenciais. "Essas são as escolhas dolorosas que precisamos fazer para garantir que nossos recursos beneficiem as pessoas mais vulneráveis e durem o maior tempo possível", explicou Hughes.

A partir de agora, 1,1 milhão de palestinos entre os mais vulneráveis receberão ajuda alimentar e financeira mensalmente, contra 1,6 milhão atendidos anteriormente. Além da redução no número de beneficiários, o PAM informou que precisará cortar as rações diárias distribuídas pela metade.

As transferências em dinheiro destinadas a permitir que os moradores comprem alimentos no comércio local também foram reduzidas. Para 2026, a agência informou ter recebido menos da metade do financiamento necessário para suas operações nos territórios palestinos em comparação com anos anteriores, estimando precisar de US$ 450 milhões para manter as atividades em Gaza e na Cisjordânia ocupada nos próximos seis meses.

No início de setembro, o PAM já havia reduzido pela metade o número de beneficiários na Cisjordânia, passando de 400 mil para 200 mil pessoas. A agência advertiu que os novos cortes ocorrem às vésperas do inverno, momento em que as modestas melhorias observadas na segurança alimentar permanecem extremamente frágeis.

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