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Quênia confirma segundo caso de Ébola, mas afasta risco de transmissão comunitária

Quênia confirmou o segundo caso de Ébola, mas o Ministério da Saúde ressaltou que não há indícios de qualquer transmissão generalizada do vírus

Isabel Alvarez

Publicado: 16/10/2026 às 17:58

Surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, variante rara do Ebola para a qual não há vacinas aprovadas/Carl de Souza/AFP

Surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, variante rara do Ebola para a qual não há vacinas aprovadas (Carl de Souza/AFP)

O Quênia confirmou o segundo caso de infecção por Ébola em seu território. Apesar da confirmação, o Ministério da Saúde ressaltou que não há indícios de transmissão generalizada do vírus no país.

De acordo com a pasta, o paciente é um homem de 39 anos, familiar direto da primeira vítima registrada no país. Ele já se encontrava em quarentena e sob monitoramento médico estrito quando o teste deu positivo. Com isso, o país contabiliza os seus dois primeiros casos históricos da doença, incluindo todos os surtos anteriores.

“O doente foi isolado assim que apresentou febre, fadiga e dores articulares, antes de realizar o exame que confirmou o diagnóstico”, explicou o ministério em nota oficial.

Segundo o órgão, a detecção precoce reduz drasticamente a probabilidade de contágio a terceiros, garantindo que não há vestígios de propagação comunitária. As equipes de saúde já conseguiram localizar 113 das 128 pessoas apontadas pelo paciente como contatos próximos.

Histórico do primeiro caso

Na semana passada, o país notificou o seu primeiro óbito por Ébola. A vítima foi um cidadão queniano que contraiu a doença na República Democrática do Congo (RDC), onde realizava tratamento. Ele viajou por terra até Kampala, em Uganda, e pegou um voo para Nairóbi, capital do Quênia, em 3 de outubro. Internado logo após a chegada, ele morreu em 5 de outubro, conforme detalhou o ministro da Saúde queniano, Aden Duale.

Avanço do surto na RDC

O epicentro da crise sanitária permanece na província de Ituri, na República Democrática do Congo, onde os registros acumulados apontam milhares de casos e centenas de internações em unidades de isolamento.

Diante do avanço contínuo na RDC, o Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (ECDC) alertou que o surto continua a configurar uma emergência de saúde pública de alcance internacional, encontrando barreiras logísticas severas em regiões de difícil acesso.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que o rastreio rigoroso de contatos enfrenta forte pressão operacional, ficando abaixo das metas estabelecidas nas últimas semanas.

O surto atual é impulsionado pela cepa Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas aprovadas ou tratamentos específicos de eficácia comprovada. Profissionais na linha de frente na RDC vêm recebendo a vacina Ervebo, desenvolvida para a cepa Zaire, mas a ONU ressalta que ainda não há comprovação científica de proteção cruzada robusta contra a variante atual.

Para o ECDC, o risco de importação do vírus para a Europa permanece extremamente baixo. “Embora casos esporádicos não possam ser descartados, a probabilidade de múltiplas entradas independentes é mínima, mesmo em cenários pessimistas de agravamento regional”, avaliou o organismo europeu.

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