Netanyahu nega ter sido alertado sobre ataque do Hamas e anuncia processo contra jornais
Gabinete do premiê israelense desmente reportagens do The Atlantic e The Wall Street Journal que apontam avisos prévios de governos árabes e atribui falha exclusivamente à inteligência do país
Publicado: 28/09/2026 às 18:06
Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP)
O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negou nesta segunda-feira (28) que os serviços secretos do Egito ou chefes de inteligência de governos estrangeiros tenham alertado pessoalmente o premiê sobre os ataques do grupo Hamas contra Israel, que aconteceram em 7 de outubro de 2023.
O posicionamento do governo israelense ocorre após reportagens publicadas pelo The Atlantic e pelo The Wall Street Journal durante o fim de semana. As investigações dos veículos norte-americanos afirmam que Netanyahu recebeu reiterados alertas de governos árabes sobre a iminência de uma ofensiva antes do dia 7 de outubro.
Segundo a revista The Atlantic, o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, realizou uma viagem secreta a Israel em 26 de setembro de 2023 para alertar formalmente as autoridades de que a situação na Faixa de Gaza era altamente volátil e estava prestes a "explodir". Já o The Wall Street Journal detalhou que o Egito tentou alertar Israel em ao menos três ocasiões — em junho, setembro e dias antes do ataque —, incluindo um telefonema direto de Kamel para o gabinete de Netanyahu.
As revelações reforçam apurações anteriores do jornal israelense Haaretz e do norte-americano The New York Times, apontando que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed, ligou pessoalmente para Netanyahu cerca de dez dias antes do ataque para alertar que o Hamas planejava uma grande operação, descrita por interlocutores como um "terremoto".
Reunião secreta e ação judicial por difamação
Também nesta segunda-feira (28), o Haaretz revelou, citando fontes dos Emirados Árabes Unidos, que Netanyahu se reuniu por cerca de uma hora com o presidente Mohamed bin Zayed. No encontro, o premiê teria pedido ao líder árabe que desmentisse publicamente as notícias sobre a conversa telefônica de alerta e negasse ter fornecido detalhes que pudessem comprometê-lo.
Por sua vez, o gabinete de Netanyahu afirmou que nenhum órgão dos serviços de inteligência israelenses repassou ao primeiro-ministro qualquer advertência vinda do Egito. O governo acrescentou que Netanyahu ordenou a apresentação de uma ação judicial por difamação contra o The Atlantic e o The Wall Street Journal.
"É importante esclarecer: o primeiro-ministro Netanyahu nunca se reuniu nem conversou com um chefe dos serviços secretos de um país estrangeiro sem a presença dos seus homólogos israelenses", declarou a equipe do premiê em nota divulgada na rede social X.
Ataques à imprensa e responsabilização do Shin Bet
O comunicado do governo em Tel Aviv ainda classificou a cobertura como uma "campanha vil e mentirosa por parte de veículos de imprensa de esquerda" e reafirmou que a responsabilidade exclusiva pelo ponto cego de segurança foi de Ronen Bar, que chefiava o Shin Bet (serviço de inteligência interna de Israel) na época.
"Bar manteve numerosas conversas com o então chefe do Estado-Maior, Herzi Halevi, e com o chefe dos serviços secretos militares, nas quais discutiram todos os indícios reveladores. Apesar disso, decidiu não telefonar nem informar o primeiro-ministro, não alertar as unidades de alerta nem as forças do Exército no terreno, não evacuar o festival Nova e enviar apenas uma pequena equipe tática", conclui a nota.