Milei afirma que a Argentina deportou 30 mil "terroristas" em dois anos
Perguntado sobre a identidade dos banidos, o presidente argentino explicou que se trata de pessoas que "se infiltram vindas de outros países" para tentar "destruir o modelo argentino"
Publicado: 28/09/2026 às 15:36
Inicialmente, Milei afirmou que 10 mil "terroristas" haviam sido deportados (AFP)
O presidente argentino, Javier Milei, afirmou em uma entrevista que as autoridades de seu país deportaram 30 mil "terroristas" entre 2025 e 2026, indivíduos que teriam como objetivo "destruir o modelo argentino".
Inicialmente, Milei afirmou que 10 mil "terroristas" haviam sido deportados. "Os 10 mil terroristas que expulsamos no ano passado. Você sabe quantos já expulsamos este ano? (...). No ano passado, 10 mil; este ano já chegamos a 20 mil", afirmou em entrevista ao canal LN+.
Diante da pergunta complementar do jornalista Luis Majul sobre a identidade dessas pessoas, o presidente argentino explicou que se trata de pessoas que "se infiltram vindas de outros países" para tentar "destruir o modelo argentino".
Mais adiante, Milei relacionou essa entrada de pessoas na Argentina a movimentos financeiros contra o país. "Ou seja, digamos que tenham promovido uma corrida - câmbio em massa - de 70 bilhões de dólares contra nós", afirmou.
O deputado do partido minoritário Coalizão Cívica-Afirmação por uma República Igualitária (CC-ARI), Maximiliano Ferraro, apresentou um pedido de acesso à informação pública junto ao Ministério da Segurança e à Direção Nacional de Migrações.
Especificamente, ele solicitou detalhes sobre quantas pessoas foram expulsas do país, quantas delas por motivos de terrorismo, quantas têm acusação ou condenação e quantas constam no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento (RePET).
"Estamos falando de mais de 27 por dia em 2025 e quase 74 por dia em 2026", alertou Ferraro, segundo o jornal 'Perfil'. O deputado solicita ainda que se informe, em cada caso, se a qualificação como terrorista foi feita no âmbito do RePET ou da legislação de imigração e quais informações concretas fundamentam essa qualificação.
Ele também questiona se existem registros de estrangeiros que tenham entrado no país para "destruir o modelo argentino" e quais denúncias foram apresentadas em relação a esses casos
Nesta segunda-feira (28), foi divulgada uma pesquisa sobre intenção de voto para as eleições presidenciais previstas para 2027, que coloca Milei na liderança por uma margem estreita em um hipotético segundo turno contra Axel Kicillof, Cristina Fernández de Kirchner e Sergio Massa.
Milei derrotaria Kicillof (42% a 40%), Cristina Fernández de Kirchner (42% a 39%) e Massa (44% a 39%). 12% responderam que votariam em branco ou nulo e 6% não sabem ou não responderam, de acordo com o estudo da empresa Trends.
Por formações políticas, o partido de Milei, La Libertad Avanza, obteria 35% dos votos, enquanto o kirchnerismo obteria 33% de apoio. A esquerda ligada a Myriam Bergman alcançaria 8%, e o partido conservador PRO, do ex-presidente Mauricio Macri, ficaria com 7%.