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ATAQUE

Governo do Iêmen lança mais de cem ataques contra os Houthis

Yahya Sarea, porta-voz militar Houthis, declarou que as suas forças atingiram um navio de desembarque militar da Arábia Saudita, que lidera a coligação contra o grupo

Isabel Alvarez

Publicado: 18/08/2026 às 16:01

Os rebeldes Houthis controlam Sana, capital do Iêmen, e grande parte do norte e oeste do país desde que tomaram a cidade no final de 2014./Abdulnasser Alseddik/Anadolu/AFP

Os rebeldes Houthis controlam Sana, capital do Iêmen, e grande parte do norte e oeste do país desde que tomaram a cidade no final de 2014. (Abdulnasser Alseddik/Anadolu/AFP)

O porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, Majid al Nuzaili, informou que realizou operações militares contra capacidades e elementos do grupo rebelde iemenita Houthis, com o uso de lança-foguetes, artilharia e drones. “Foram 133 operações militares contra posições dos Houthis, apoiados pelo Irã, nas últimas 24 horas, em plena escalada em vários frentes do país”, revelaram hoje fontes militares oficiais.

O anúncio aconteceu após os Houthis terem reivindicado ontem um ataque com mísseis balísticos contra um navio perto do estreito de Bab al Mandeb, um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo, e também contra o porto de Moca, cidade costeira do mar Vermelho, no sudeste do país. O estreito que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico constitui uma via crucial na rota marítima entre a Europa e a Ásia através do canal do Suez.

O porta-voz militar Houthis, Yahya Sarea, declarou que as suas forças atingiram um navio de desembarque militar da Arábia Saudita, que lidera a coligação contra o grupo, além de quatro lanchas de escolta ao largo de Moca.

Os rebeldes Houthis controlam Sana, capital do Iêmen, e grande parte do norte e oeste do país desde que tomaram a cidade no final de 2014. As forças pró-governamentais, apoiadas por potências regionais durante grande parte da guerra, mantêm o controle de áreas da costa ocidental. As ofensivas integram uma série de operações dos Houthis contra posições ao longo do estreito de Bab al-Mandeb e na costa sul do mar Vermelho, controladas pelas forças governamentais, particularmente na cidade portuária de Moca e nas áreas circundantes. Os rebeldes têm igualmente visado refinarias na Arábia Saudita.

A escalada representa a pior retomada da violência entre os Houthis e a coligação liderada pela Arábia Saudita desde a trégua mediada pelas Nações Unidas em 2022, e surge em resposta à recente criação por Riade de uma Aliança Multinacional para a Segurança Marítima destinada a proteger a navegação no mar Vermelho.

O conflito se reacendeu após ataques atribuídos a Arábia Saudita contra o aeroporto de Sana, controlado pelos rebeldes, para onde o Irã tinha enviado um avião que transportava uma delegação rebelde sem solicitar autorização ao reino saudita, que controla o espaço aéreo iemenita.

Mas as duas partes evitaram um regresso aos níveis de violência registrados nos anos anteriores, apesar de confrontos esporádicos terem continuado em várias frentes.

Já o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com a escalada das hostilidades no Iêmen, onde, só este mês, pelo menos 17 civis já morreram nos ataques dos Houthis contra zonas controladas pelo Governo reconhecido.

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