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Kennedy Jr. ordena exclusão de registros de mortes por sarampo na Pensilvânia

Interferência ocorreu após o Kennedy colocar em dúvida se o vírus teria sido a causa direta dos óbitos

Estadão Conteúdo

Publicado: 03/09/2026 às 14:02

A contestação dos dados gerou um racha político entre o governo federal e o governador da Pensilvânia, o democrata Josh Shapiro/Josh Edelso/AFP

A contestação dos dados gerou um racha político entre o governo federal e o governador da Pensilvânia, o democrata Josh Shapiro (Josh Edelso/AFP)

O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Francis Kennedy Jr., pressionou a nova diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Erica Schwartz, a remover a menção a duas mortes no Estado da Pensilvânia do boletim epidemiológico oficial de sarampo do órgão.

A interferência ocorreu após o Kennedy colocar em dúvida se o vírus teria sido a causa direta dos óbitos, informaram à agência Reuters três fontes sob condição de anonimato.

A determinação de Kennedy foi atendida e implementada por Schwartz sem objeções formais, segundo as mesmas fontes, embora técnicos da própria agência federal já tivessem validado a notificação enviada pelas autoridades sanitárias locais.

Nesta quarta (2) as principais associações médicas dos Estados Unidos divulgaram suas recomendações para as vacinas contra a gripe sazonal e a covid-19 em meio à confusão gerada pela campanha antivacina do governo Trump.

A contestação dos dados gerou um racha político entre o governo federal e o governador da Pensilvânia, o democrata Josh Shapiro. Eles trocam acusações públicas de politizarem o surto do vírus no Estado, que já contabiliza mais de 500 casos confirmados neste ano.

Queda na vacinação

A crise ocorre em meio a um recrudescimento da doença em território americano, alavancado pela queda nas coberturas vacinais. Crítico histórico dos imunizantes e figura central do movimento antivacina nos EUA antes de assumir o cargo no governo Donald Trump, Kennedy busca minimizar a gravidade do surto nacional, o maior registrado no país em mais de três décadas.

Em nota enviada à Reuters, a porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Grace Davis Jamison, afirmou que o CDC solicitou informações adicionais para "determinar se o sarampo causou ou contribuiu para os óbitos", alegando divergências nos relatos de autoridades locais. O órgão não se manifestou sobre a interferência direta de Kennedy ou sobre a conduta de Schwartz, que assumiu a direção do CDC recentemente.

Conflito federativo

O conflito institucional teve início após o Departamento de Saúde da Pensilvânia notificar o CDC sobre duas mortes de pacientes não vacinados e divulgar a informação em seus canais oficiais. Inicialmente, o órgão federal não apresentou ressalvas e sinalizou apoio às ações estaduais de contenção do surto.

Kennedy usou as redes sociais para acusar a gestão de Shapiro de reter informações e chegou a questionar se os óbitos não teriam sido "fabricados". O governo da Pensilvânia nega a retenção de dados e afirma ter fornecido todas as informações epidemiológicas exigidas por lei, ressaltando que a legislação estadual impede a transferência de prontuários médicos com dados de identificação pessoal dos pacientes a órgãos federais.

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