Guerra entre Irã e EUA se intensifica com bombardeios e fechamento de Ormuz
Retomada após um mês da assinatura de memorando para fim da guerra; provocações escalam de ambos os lados
Publicado: 15/07/2026 às 17:09
Bloqueio naval em Ormuz marca o retorno das hostilidades entre Israel e EUA (US Navy/AFP)
A guerra entre Estados Unidos e Irã se intensificou nesta quarta-feira (15) com o bloqueio norteamericano aos portos iranianos e o fechamento do Estreito de Ormuz, o que encerra o protocolo de acordo que deveria reduzir a escalada do conflito iniciado em fevereiro.
Quase um mês depois de Estados Unidos e Irã assinarem um memorando de entendimento para pôr fim à guerra no Oriente Médio, ambos os lados retomaram os combates, com repercussões em toda a região.
O Exército americano confirmou uma nova "onda de ataques" de 90 minutos nesta quarta-feira (15). Jadijeh, uma iraniana que conversou com jornalistas da AFP em Paris, acredita que os efeitos da guerra permanecerão "por muito tempo".
"Deus nos livre, mas se a guerra se intensificar, pode levar várias gerações para nos recuperarmos", afirmou na província de Sistão-Baluchistão, localizada a leste do Estreito de Ormuz.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou expandir os ataques na próxima semana, visando usinas de energia e pontes, a menos que Teerã retorne à mesa de negociações.
Longe de se intimidarem, as autoridades iranianas colocaram uma placa gigante no centro de Teerã que mostra o presidente dos EUA em um caixão com a mensagem "Vamos matar Trump", segundo um vídeo da AFPTV.
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A disputa pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o trânsito global de petróleo e gás, foi o principal fator para a retomada dos combates e do bloqueio naval na terça-feira.
A retomada dos combates em 7 de julho, após ataques a navios no Golfo atribuídos ao Irã, mina os esforços diplomáticos para aplicar o acordo protocolar assinado em junho, que ratificou o cessar-fogo concluído em abril.
Até agora, os ataques não afetaram a capital Teerã nem as instalações de petróleo e gás no Golfo.
Israel, que iniciou a guerra ao lado dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, não se juntou aos novos confrontos.
"Olho por olho"
O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que um memorando de entendimento só faz sentido quando suas cláusulas são válidas e estão sendo aplicadas.
"Caso contrário, se a República Islâmica do Irã não for obter nenhum benefício desse texto, então, com base na política de 'olho por olho' que mencionei anteriormente, não temos nenhum motivo para aderir a tal acordo", afirmou.
A cidade portuária de Bushehr, que abriga a única instalação nuclear do Irã, foi novamente atacada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira, segundo a agência de notícias estatal Irna.
No sudeste do país, sete soldados morreram quando mísseis americanos atingiram um quartel perto da cidade de Iranshahr, informou o Exército iraniano.
Mais de 30 civis morreram desde a retomada dos combates, segundo o governo iraniano.
Em resposta aos bombardeios, Teerã voltou a atacar instalações americanas em vários países do Golfo e na Jordânia.
Bahrein, Kuwait e Jordânia foram alvos de ataques iranianos durante a madrugada; a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime, reivindicou ataques às instalações da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein e ao centro logístico de Mina Abdullah, usado pelo Exército americano.
Em Erbil, no Curdistão iraquiano, jornalistas da AFP indicaram que ouviram várias explosões perto do consulado dos Estados Unidos.
Irã ameaça fechar outras vias
Além do impacto no comércio global de hidrocarbonetos, a ONU expressou alarme na terça-feira (14) sobre as "graves consequências socioeconômicas e humanitárias" do bloqueio desta "rota de trânsito essencial da qual milhões de pessoas dependem" para alimentos, medicamentos e outras necessidades básicas.
A Guarda Revolucionária declarou que o estreito "permanecerá fechado até que os Estados Unidos cessem seus atos de agressão" e mencionou o possível fechamento de "outras rotas de exportação de petróleo e gás" que beneficiam os Estados Unidos e seus aliados.
Com a reimposição do bloqueio dos portos iranianos, Trump quer pressionar o governo iraniano em relação às suas divergências sobre o Estreito de Ormuz.
Teerã afirma há meses que deseja cobrar um pedágio pela passagem por essa hidrovia.
Esta semana, Trump surpreendeu a todos ao declarar que cobraria uma taxa em troca da proteção de Ormuz. Mais tarde, ele recuou. Segundo afirmou, a questão estaria mais relacionada a "acordos comerciais e investimentos" com as monarquias do Golfo.