Incêndios florestais ameaçam costa catalã e obrigam Portugal a pedir ajuda
Serviços de emergência regionais informaram que cerca de 150 pessoas haviam sido removidas
Publicado: 03/07/2026 às 21:27
Incêndio na província de Girona, a cerca de 20 km da costa do Mediterrâneo (Bomberos de Cataluña/Divulgação)
Centenas de bombeiros espanhóis combatiam, nesta sexta-feira (3), um incêndio florestal perto do popular destino turístico mediterrâneo da Costa Brava, que obrigou milhares de pessoas a permanecer confinadas em suas casas, enquanto Portugal pedia ajuda externa para combater os incêndios no norte do país.
O fogo foi declarado pela manhã, perto do município nordeste de La Bisbal d'Empordà, na província espanhola de Girona e a cerca de 20 quilômetros da costa mediterrânea. Os ventos fortes intensificaram o incêndio e levaram as autoridades regionais catalãs a pedir aos moradores de 10 municípios que permanecessem em casa, entre eles o turístico Platja d'Aro.
Os serviços de emergência regionais informaram que cerca de 150 pessoas haviam sido removidas, incluindo cerca de 70 crianças de um acampamento de férias.
Imagens compartilhadas pelo serviço de bombeiros da Catalunha mostravam helicópteros avançando para despejar água sobre as chamas em meio a densas massas de fumaça cinza e laranja sobre um terreno florestal e montanhoso.
Banhistas em uma praia próxima foram surpreendidos pela imagem de um avião tanque voando a baixa altitude sobre suas cabeças e pelo horizonte coberto de fumaça.
"A coluna [de fumaça] está muito inclinada, formou-se uma nuvem de fogo muito violenta" que continuará se deslocando, explicou o chefe do serviço de bombeiros da Catalunha, David Borrell. Mais de 200 bombeiros, inclusive por meios aéreos, foram mobilizados, anunciou.
A conselheira de Interior do governo regional catalão, Núria Parlon, afirmou que as chamas já haviam devastado 1.280 hectares e que mais de 200 integrantes da Unidade Militar de Emergências estavam a caminho.
O presidente do governo, Pedro Sánchez, expressou no X sua "preocupação" e instou os cidadãos a "redobrar a cautela diante das altas temperaturas dos próximos dias".
De acordo com a polícia catalã, um suspeito de ter provocado o incêndio foi detido "enquanto usava uma ferramenta de corte na beira da estrada".
Incêndios florestais mortais devoraram quase 400 mil hectares de terreno no ano passado, a maior cifra registrada no país pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.
Portugal busca ajuda
Enquanto isso, na vizinha Portugal, as autoridades decidiram, nesta sexta-feira, ativar "o mecanismo europeu de proteção civil, bem como os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos" para reforçar a segurança.
"Não porque nossas capacidades estejam já esgotadas, mas porque, na situação atual, todo o nosso território está exposto a um risco muito elevado", declarou o primeiro-ministro português Luís Montenegro.
Um incêndio florestal ativo no norte de Portugal desde a noite de quarta-feira deixou quatro pessoas feridas. "Há três bombeiros com ferimentos leves e um civil gravemente ferido, com queimaduras", indicou à AFP um porta-voz da Proteção Civil.
O incêndio foi declarado na madrugada de quinta-feira no município de Vouzela, no distrito de Viseu.
Cerca de 1.000 bombeiros, apoiados por cerca de 300 veículos e oito aviões ou helicópteros, foram mobilizados nesta sexta para combater as chamas. Outros quatro focos menores estavam sendo combatidos por pelo menos 100 bombeiros cada um.
Devido ao tempo "muito quente e seco", com temperaturas que podem chegar a 44°C em algumas zonas, a agência meteorológica portuguesa colocou 12 dos 18 distritos do país em alerta vermelho.
Esse nível máximo de alerta será mantido no sábado e no domingo em cerca de 10 regiões.
Atingido por incêndios florestais a cada verão, Portugal continua marcado pelos devastadores incêndios que tiraram mais de 100 vidas em 2017.