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Venezuela segue em estado de atenção após mais de 20 réplicas do terremoto na madrugada

Pequenos tremores, chamados de réplicas, tiveram magnitudes entre 2,3 e 3,8 e foram sentidos nos arredores de Caracas

Estadão Conteúdo

Publicado: 25/06/2026 às 10:38

Mulher consola uma criança na rua após um terremoto em Caracas/Federico PARRA/AFP

Mulher consola uma criança na rua após um terremoto em Caracas (Federico PARRA/AFP)

A Venezuela segue em estado de alerta após a sequência de terremotos registrados na última quarta-feira (24). Ao longo da madrugada, dezenas de réplicas de baixa magnitude voltaram a ser registradas, prolongando o cenário de instabilidade sísmica na região costeira.

Segundo dados da Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas (Funvisis), pelo menos 20 tremores ocorreram entre 01h53 e 06h36 (horário local), com magnitudes entre 2,3 e 3,8 e profundidades rasas, em geral próximas de 5 km. As ocorrências se concentraram principalmente nas áreas próximas a La Guaira e Naiguatá, além do Norte dos estados de Aragua e Falcón. Entre os pontos mais afetados estão regiões de Los Caracas, Maracay e Boca de Aroa.

A sequência reforça o quadro de instabilidade após os dois terremotos principais, que ocorreram com menos de um minuto de intervalo e epicentros a cerca de 45 quilômetros de distância, em diferentes profundidades.

O primeiro, de magnitude 7,2, foi registrado às 19h04 (horário de Brasília), próximo a San Felipe, a 21,9 km de profundidade. O segundo, de magnitude 7,5, classificado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como o mais forte na Venezuela desde 1900, ocorreu 39 segundos depois, próximo a Yumare, a 10 km de profundidade.

O USGS alertou que novas réplicas, inclusive potencialmente mais fortes, ainda podem ocorrer nos próximos dias, mantendo o nível de atenção elevado nas áreas atingidas. Até o momento, o desastre já deixou ao menos 164 mortos e mais de 971 feridos, segundo o balanço oficial do governo venezuelano.

 

País ainda busca sobreviventes

A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que equipes de resgate foram deslocadas para áreas críticas. Segundo ela, as operações seguem com prioridade máxima durante o período de luz do dia nesta quinta-feira (25), para acelerar a busca por sobreviventes ainda possivelmente presos sob os escombros.

Rodríguez também informou a mobilização de equipes de busca e salvamento certificadas pela ONU e o acionamento do setor privado para fornecer maquinário pesado para a remoção de destroços. O governo anunciou ainda a criação de um fundo de reconstrução estimado em US$ 200 milhões para hospitais e residências danificadas, sob coordenação dos ministérios da Economia e das Finanças.

Os efeitos dos tremores também foram sentidos fora do país. No Brasil, moradores do Amazonas, Pará e Amapá relataram ter percebido os abalos, o que levou, em alguns casos, à evacuação preventiva de prédios. Na Colômbia, cidades próximas à fronteira também registraram a percepção dos tremores.

Brasil acompanha a situação

No âmbito internacional, vários países anunciaram medidas de apoio à Venezuela diante da gravidade da tragédia. Os Estados Unidos informaram o envio de equipes de busca e resgate, além de suprimentos médicos e assistência humanitária.

O Brasil acompanha a situação por meio do Itamaraty e mantém canais abertos para eventual apoio, enquanto a China afirmou estar disposta a fornecer ajuda "de acordo com as necessidades do lado venezuelano".

Na Europa, a França anunciou a mobilização de uma equipe de 85 socorristas especializados, e a União Europeia ativou o sistema Copernicus de monitoramento por satélite para auxiliar na avaliação dos danos e na coordenação das ações de resposta.

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