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O que indicam as agências iranianas sobre o acordo entre EUA e Irã

Netanyahu declarou que Israel e os EUA estão totalmente de acordo quanto à necessidade de impedir que o Irã obtenha armas nucleares

Isabel Alvarez

Publicado: 12/06/2026 às 14:06

Ataques entre EUA e Irã seguiram mesmo com cessar-fogo acordado em abril/Kawnat Haju/AFP

Ataques entre EUA e Irã seguiram mesmo com cessar-fogo acordado em abril (Kawnat Haju/AFP)

Os meios de comunicação estatais iranianos divulgaram nesta sexta-feira (12) vários detalhes do possível acordo entre o Irã e os Estados Unidos.

Segundo a agência estatal iraniana IRNA e agência semi-oficial Mehr, depois de diversas rodadas de negociações e revisões, um memorando de entendimento com os Estados Unidos entrou efetivamente na sua fase final, com base na proposta do Irã de 14 pontos.

A IRNA diz que entre os temas abordados o documento prevê o fim da guerra no Líbano, suspensão de sanções, ativos congelados e ainda a questão do programa nuclear.

No projeto de acordo provisório está o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, no qual os Estados Unidos se comprometem em fazer Israel terminar definitivamente com às hostilidades após a assinatura do documento oficial.


Também o Irã não assumirá de imediato quaisquer novos compromissos e apenas participará em negociações sobre o seu programa nuclear durante o período de 60 dias de negociações previsto após a assinatura do memorando, no quadro dos seus princípios fundamentais, incluindo o direito ao enriquecimento de urânio.

No caso do Estreito de Ormuz, os meios de comunicação iranianos apontam que Teerã não se comprometerá a ceder à gestão do estreito nem a restabelecer as condições existentes antes do conflito. O texto envolve somente a normalização do tráfego da rota marítima e o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Os EUA não teriam qualquer papel na gestão do estreito.

Em relação aos ativos iranianos congelados, o acordo exige o desbloqueio de bilhões de dólares de fundos iranianos congelados, metade dos quais teria de ser disponibilizado imediatamente após a assinatura. A IRNA afirma que o projeto de documento refere que o Irã obteve garantias específicas de terceiros relativamente ao pagamento do montante remanescente.

Já a exigência de Teerã para a interrupção de todas as sanções que lhe foram impostas seria analisada no prazo de 60 dias. Durante esse período, Washington se comprometeria a não reforçar a sua presença militar na região nem impor novas sanções ao país.

A agência Mehr destaca que o memorando também inclui um plano de reconstrução para o Irã no valor de, pelo menos, 300 bilhões de dólares. A IRNA refere que o mecanismo concreto de implementação seria negociado durante os 60 dias seguintes. A Mehr ainda cita que os pontos referentes ao programa de mísseis balísticos e os grupos aliados foram temas excluídos das negociações.

Mas, a agência Tasnim, ligada a Guarda Revolucionária iraniana, garante que o texto ainda requer análise e finalização pelas instituições competentes do Irã.

Por outro lado o presidente norte-americano Donald Trump nega o conteúdo deste memorando divulgado pelas agências iranianas. Após declarar que um acordo com o Irã estava praticamente concluído e que deve ser assinado em breve, possivelmente neste fim de semana em Genebra, na Europa, Trump acusou hoje Teerã de ser "desonesto", alegando que as descrições da mídia iraniana da proposta não correspondem ao que foi negociado.

"Os termos que o Irã fez chegar às fake news não têm NADA a ver com os termos que foram acordados, por escrito. O que eles disseram, incluindo a sua declaração fraca e patética sobre a existência de um acordo, não tem qualquer relação com a verdade", acrescentou. "São pessoas muito desonestas para negociar. Com eles, não existe boa-fé nas negociações", disse na sua rede social, Truth Social.

Além disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou hoje que Israel e os EUA estão totalmente de acordo quanto à necessidade de impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Netanyahu reagiu às notícias sobre um possível acordo entre Washington e Teerã e assegurou: "Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, o Irã não terá armas nucleares".

Por sua vez, o Paquistão, mediador nas negociações entre os dois lados, saudou os progressos alcançados. entre os Estados Unidos e o Irão, numa nova indicação de que poderá estar a ganhar forma um acordo provisório entre os dois países. "Ambas as partes saudaram os progressos alcançados através de um envolvimento diplomático contínuo e manifestaram esperança de que estes esforços conduzam em breve a um entendimento duradouro e a uma resolução pacífica", diz o comunicado do ministro das Relações Exteriores paquistanês, Muhammad Ishaq Dar.

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