Ministro da Defesa do Japão critica China em fórum de segurança
As relações entre os dois países estão tensas desde o Japão ter sugerido que seu país poderia intervir militarmente caso a China tentasse tomar Taiwan
Publicado: 31/05/2026 às 08:51
O Ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizum (Jam Sta Rosa/AFP)
O ministro da Defesa do Japão criticou a China neste domingo (31), e prometeu que seu país continuará fortalecendo seu aparato militar, apesar das objeções de Pequim.
O Japão adotou uma política de Defesa mais proativa sob a primeira-ministra Sanae Takaichi, deixando para trás a perspectiva pacifista assumida desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A mudança provocou críticas frequentes da China, que acusa o país de adotar um imprudente "novo militarismo" que poderia desestabilizar a região.
Mas o ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi, respondeu neste domingo que "nada poderia estar mais longe da verdade". "Pense bem, há um país que possui um enorme arsenal de armas nucleares e bombardeiros estratégicos", afirmou Koizumi no fórum anual de defesa Shangri-La, em Singapura.
"O Japão não possui nenhuma dessas armas. E, mesmo assim, é apontado como 'novo militarismo'. Não é estranho?", questionou, sem citar diretamente a China. Acredita-se que Pequim possua centenas de ogivas nucleares e, nos últimos anos, tenha reforçado fortemente seu exército.
A relação entre China e Japão se desgastou desde que Takaichi sugeriu, em novembro, que seu país poderia intervir militarmente se Pequim tentasse tomar Taiwan à força. Koizumi afirmou que a China expande suas capacidades militares "sem transparência suficiente" e que suas atividades militares são "motivo de séria preocupação para o Japão".
Ele sustentou que Tóquio "reforçará progressivamente suas capacidades de defesa e fará atualizações contínuas com um alto grau de transparência", inclusive nas áreas de inteligência artificial, sistemas não tripulados, bem como segurança cibernética e defesa espacial.
O Diálogo Shangri-La é o principal fórum de defesa da Ásia e reúne anualmente autoridades e especialistas em segurança de cerca de 45 países.