Mídia diz que EUA e Irã chegaram a acordo de entendimento que depende da aprovação de Trump
A assinatura da minuta seria o avanço diplomático mais expressivo desde o início da guerra, sendo que o acordo final com as exigências nucleares de Trump pede conversações adicionais
Publicado: 28/05/2026 às 15:42
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto:ANNABELLE GORDON / AFP)
Segundo publicação do site Axios, fontes das equipes de negociadores dos EUA revelaram que concluíram um entendimento que permitirá negociações para se chegar a um acordo de paz com o Irá. No entanto, os termos ainda precisam da aprovação final do presidente norte-americano, Donald Trump. As fontes afirmam que o memorando prevê a retomada da livre navegação no Estreito de Ormuz e prolonga por 60 dias o cessar-fogo, período no qual será iniciada as negociações sobre o programa nuclear iraniano, que incluirá um compromisso de Teerã em não prosseguir o desenvolvimento de armas nucleares.
A assinatura da minuta seria o avanço diplomático mais expressivo desde o início da guerra, sendo que o acordo final com as exigências nucleares de Trump pede conversações adicionais. "Este é um acordo para reunir todos à mesa das negociações. Vamos acertar os detalhes nas negociações", adiantou um dos responsáveis norte-americanos.
O governo iraniano não confirmou esta informação. Mas, as fontes disseram que Trump tem todos os detalhes do acordo final, mas não o aprovou de imediato. "O presidente disse aos mediadores que precisa de alguns dias para pensar sobre o assunto", indicou um responsável norte-americano. Além disso, acrescentou que o bloqueio naval dos EUA também será suspenso, mas isso ocorrerá proporcionalmente à retomada da navegação comercial sem restrições em Ormuz.
Washington ainda se comprometerá a discutir o alívio das sanções econômicas e a liberação de fundos iranianos congelados como parte das negociações, assim como estudar um mecanismo para ajudar o Irã a começar a receber bens e ajuda humanitária. "Quanto mais os iranianos estiverem dispostos a ceder, mais receberão", garantiu uma das fontes ao Axios.
Entretanto, mesmo com as negociações a principio numa fase avançada, nos últimos dias os EUA e o Irã tiveram confrontos no Estreito de Ormuz, ataques aéreos norte-americanos contra uma base terrestre no sul do país e a retaliação de Teerã a uma base militar norte-americana.
Por sua vez, o Comando Central dos EUA descreveu as suas ações como ponderadas, defensivas e destinadas a manter o cessar-fogo. Enquanto o Irã condenou os ataques como uma grave violação do cessar-fogo e prometeu que não deixará nenhum ato de hostilidade sem resposta. Estes incidentes de ambos as partes são os mais sérios desde a trégua que entrou em vigor em 8 de abril.
Além do mais, Trump negou na quarta-feira (27), após a divulgação pela televisão estatal iraniana da minuta de um suposto acordo entre os dois países de que a normalização da rota no Estreito de Ormuz seria restabelecida com Omã. “Nenhum país terá controle sobre a via navegável”, advertiu Trump, que chegou inclusive a ameaçar Omã, país aliado com o qual mantêm laços militares e econômicos de longa data.
"São águas internacionais e Omã vai se comportar como qualquer outro país, ou teremos de explodi-los. Eles compreendem isso, tudo ficará bem", avisou. O presidente norte-americano também afirmou ontem que o Irã pretende fechar um acordo, mas que os EUA ainda não estão satisfeitos com o que foi alcançado. Reiterando que caso não seja alcançado um acordo serão retomados os ataques.
Washington já impôs sanções à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, o organismo iraniano responsável pela cobrança de taxas aos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. “Qualquer navio que pague à autoridade poderá também estar sujeito ao risco de sanções. O governo dos EUA não tolerará qualquer tentativa de estabelecer um sistema de taxas no Estreito de Ormuz. Omã, em particular, deve saber que o Tesouro dos EUA perseguirá implacavelmente qualquer ator envolvido, direta ou indiretamente, no estabelecimento de uma portagem no Estreito, e que qualquer parceiro cúmplice será sancionado", alertou Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.