Em reunião da OTAN, ministro da Polônia agradece envio de soldados pelos EUA
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, também parabenizou a medida, apesar de ter destacado que a Europa deve continuar a reforçar as suas defesas
Publicado: 22/05/2026 às 14:45
Ministros dos Negócios Estrangeiros da OTAN (OTAN)
Nesta sexta-feira (22), o ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o anúncio do envio de cinco mil soldados norte-americanos para a Polônia.
"Quero agradecer ao presidente Trump pelo anúncio e pelo fato da presença de tropas norte-americanas na Polônia se manterem mais ou menos nos níveis pré-pandemia. Tudo está bem quando acaba bem", saudou Sikorski, na reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte que ocorre na Suécia.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, também parabenizou a medida, apesar de ter destacado que a Europa deve continuar a reforçar as suas defesas para reduzir dependências. "Congratulo o anúncio. Mas sejamos claros: o caminho que seguimos é o de uma Europa mais forte e de uma OTAN mais forte, garantindo que, com o tempo, passo a passo, dependamos menos de um único aliado, como temos feito há tanto tempo, que são os Estados Unidos", disse Rutte, antes do início do encontro dos ministros das Relações Exteriores da aliança militar.
Enquanto a ministra sueca Maria Malmer Stenergard considerou que os sinais e as constantes mudanças de Washington são confusas. "É, de fato, confuso. Mas temos que continuar a fazer o que é preciso. Precisamos ter os Estados Unidos a bordo", acrescentou.
A reunião da OTAN, em Helsingborg, é uma preparação para a cúpula de julho em Ancara, na Turquia. Na agenda de hoje está o apoio à Ucrânia, os impactos da guerra no Oriente Médio, os orçamentos nacionais de Defesa, cuja meta foi revista no ano passado, para 5% do Produto Interno Bruto até 2035. Assim como será discutida a saída de milhares de efetivos norte-americanos da Alemanha. Rutte diz que embora haja impacto destas movimentações, assegurou que o compromisso dos EUA com a segurança transatlântica se mantém inalterado.
Após meses de críticas à OTAN e avisos sobre reduzir os contingentes americanos nos países europeus da Aliança Atlântica, Trump surpreendeu ontem à noite com a informação do deslocamento dos militares para o território polonês. "Após a bem-sucedida eleição do atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, a quem tive a honra de apoiar, e dada a nossa relação com ele, tenho o prazer de anunciar que os EUA enviarão mais 5 mil soldados para a Polônia", escreveu na sua rede social, Truth Social.
Além disso, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia dito no começo dessa semana que este envio estava adiado, e não cancelado, ao mesmo tempo em que defendeu uma maior autonomia europeia na defesa. "Precisamos de mais soberania e que a Europa se sustente por si só. Esta continua a ser a nossa estratégia na Europa" afirmou.
Trump também já tinha ameaçado suspender a ajuda militar aos aliados europeus que não o apoiassem na guerra contra o Irã. Em maio, o Pentágono inclusive indicou a retirada de cinco mil soldados da Alemanha, que está programada para acontecer em um prazo de seis meses a um ano. A decisão se deve a uma crise diplomática entre os dois países depois do chanceler alemão, Friedrich Merz, dizer que os EUA estavam sendo humilhados por Teerã nas negociações para terminar o conflito no Oriente Médio.
Trump ainda adiantou que esta diminuição do efetivo norte-americano poderia ser até maior e recentemente apontou que avaliava retirar tropas da Itália, após a primeira-ministra Giorgia Meloni ter defendido o Papa Leão XIV dos ataques do presidente dos EUA. Uma vez que o pontífice condenou as ameaças de Trump de eliminar a civilização iraniana caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz, apelando a paz, a desescalada do conflito na região, o diálogo e o respeito aos direitos humanos.