JD Vance garante que EUA mantêm progressos nas negociações com o Irã
O vice-presidente também defendeu Donald Trump após a sua fala de que não estava preocupado com a situação financeira do povo norte-americano e o aumento dos preços da gasolina
Publicado: 14/05/2026 às 17:47
Vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance (foto: Jim Watson/AFP)
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que acredita que a via diplomática ainda é possível e que estão sendo feitos progressos no sentido de pôr fim à guerra no Irã. Vance indicou que está em contato com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados especiais da Casa Branca nas negociações com Teerã, assim como com aliados norte-americanos no Oriente Médio.
No entanto, sublinhou que o acesso a armas nucleares aos iranianos é uma linha vermelha para Washington. "Penso que fizemos muitos progressos desde que deixamos o Paquistão, mas fizemos mais desde então. A questão fundamental é: estamos fazendo progressos suficientes para satisfazer a linha vermelha do presidente? E a linha vermelha é muito simples. Ele precisa ter a certeza que implementamos uma série de proteções para que o Irã nunca venha a ter uma arma nuclear. É essa a questão. Vamos atingir esse limiar ou não?”, declarou.
JD Vance disse que o objetivo é poder encarar o povo americano e dizer com confiança que não precisarão se preocupar se este regime tão perigoso terá acesso às armas mais perigosas do mundo. “Há muitas maneiras de alcançar esse objetivo. O presidente nos lançou numa via diplomática por agora e é nisso que estou concentrado”, acrescentou.
O vice-presidente também defendeu Donald Trump após a sua fala de que não estava preocupado com a situação financeira do povo norte-americano e o aumento dos preços da gasolina. "Bem, não acho que o presidente tenha dito isso. Acho que é uma deturpação das suas palavras. Mas, claro, tanto o presidente como eu, e toda a equipe, estamos preocupados com a situação financeira do nosso povo”, argumentou.
Já os presidentes da China e dos EUA defenderam nesta quinta-feira (14), na cúpula bilateral que decorre em Pequim entre as duas autoridades e as delegações de ambos os países, a reabertura do Estreito de Ormuz sem taxas e que o Irã não tenha armas nucleares. Trump anunciou que o líder chinês Xi Jinping se ofereceu para ajudar a resolver o conflito entre os EUA e o Irã, e também prometeu não enviar equipamento militar para o regime.
Enquanto isso, Washington e Teerã se encontram num processo de diálogo mediado pelo Paquistão, porém as divergências estão num impasse e impedem a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que acolheu o primeiro encontro direto após o cessar-fogo em 08 de abril, que foi, entretanto prorrogado por tempo indeterminado.
Em relação a mais recente proposta iraniana, Trump a classificou de inaceitável e comparou ainda o cessar-fogo em vigor a um paciente em estado crítico. Na sua resposta a última proposta norte-americana, o Irã exigiu o fim imediato das hostilidades na região, incluindo no Líbano, onde os ataques entre Israel e o grupo Hezbollah pró-iraniano continuam apesar da frágil trégua. Além da suspensão ao bloqueio naval dos EUA aos seus portos e o desbloqueio dos ativos iranianos detidos no estrangeiro.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás da região, e os recentes ataques e apreensões de navios iranianos na zona por parte das forças norte-americanas foram alguns dos motivos apontados por Teerã para não participar por enquanto de futuras negociações no Paquistão, dado que avalia estas ações como uma violação do cessar-fogo. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chegou a indicar que não há alternativa para o fim da guerra senão a aceitação da proposta de Teerã por parte de Washington.
Por sua vez, o canal CNN internacional revelou que Israel receia que Trump faça ‘mau acordo’ com o Irã e deixe objetivos de guerra por cumprir. Para Tel Aviv, a guerra estará incompleta se for alcançado um acordo que deixe o programa nuclear iraniano parcialmente intacto, ignorando questões como os mísseis balísticos ou o apoio a grupos regionais aliados, o que é considerado um problema grave pelo governo israelense.
Uma fonte do alto escalão israelense reportou a CNN que Tel Aviv tenta influenciar a situação tanto quanto possível. “A principal preocupação é que Trump se canse das negociações e chegue a um acordo, qualquer acordo, com concessões de última hora”, adiantou a fonte. As fontes israelenses ouvidas pela CNN enfatizam ainda que um acordo parcial vai aliviar a pressão econômica sobre o Irã, proporcionar um fluxo de dinheiro e estabilizar o regime ao qual o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer que acabe.
Segundo a mídia, a Casa Branca já garantiu a Israel que a questão do estoque de urânio enriquecido iraniano será abordada num acordo.
Por outro lado, Teerã fez ameaças após a divulgação da viagem de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos. "Netanyahu revelou agora publicamente o que os serviços de segurança iranianos já tinham confirmado há algum tempo. Inimizade com o grande povo do Irã é uma aposta insensata. Conluio com Israel a este respeito: imperdoável. Aqueles que se aliam a Israel para semear a discórdia serão responsabilizados", avisou Abbas Araghchi, Ministro das Relações Exteriores iraniano.
O gabinete de Netanyahu anunciou que o premiê visitou secretamente os Emirados durante a ofensiva de Israel e dos EUA contra o Irã, tendo sido recebido pelo presidente, o xeque Mohammed bin Zayed Al-Nahyan.
Em contrapartida, o governo dos Emirados desmentiu as informações sobre uma alegada visita de Netanyahu aos Emirados ou a recepção de qualquer delegação militar israelense no país.