Irã apresenta nova proposta aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz
Trump avalia retomar ataques enquanto negociações seguem travadas
Publicado: 27/04/2026 às 12:53
Estreito de Ormuz (Foto: SAHAR AL ATTAR / AFP)
Nesta segunda-feira (27), o portal Axios noticiou que o Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz e terminar à guerra, mas adiando as negociações sobre o programa nuclear do país.
A mídia cita que fontes revelaram, sob anonimato, que o presidente dos EUA, Donald Trump, estuda com a sua equipe o atual impasse nas conversações, que incluiu a possibilidade de retomar ou não os ataques apos ter prorrogado recentemente o cessar-fogo. Trump também cancelou as viagens dos seus principais enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, para o Paquistão, onde realizariam mais uma rodada de negociações no fim de semana com a delegação iraniana. No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi abandonou Islamabad sem dialogar com os enviados.
Mas, Araghchi apresentou na capital paquistanesa aos principais mediadores do conflito, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, e o chanceler paquistanês, Mohammad Ishaq Dar, um plano para contornar a questão nuclear, propondo que a trégua se prolongue ou que ambas as partes acordem o fim definitivo da guerra, deixando as negociações nucleares para mais tarde, após a reabertura do estreito e a suspensão do bloqueio. No entanto, fontes diplomáticas indicam que a liderança iraniana não tem consenso sobre como responder às exigências norte-americanas para suspender o enriquecimento de urânio durante pelo menos uma década e retirar o urânio enriquecido do país.
Araghchi ainda esteve no fim de semana em Omã e a declarou que discutiu sobre os interesses partilhados no Estreito de Ormuz. “A passagem segura pelo Estreito de Ormuz é agora uma questão global importante e, naturalmente, devemos dialogar com os Estados costeiros deste estreito para que os nossos interesses comuns possam ser assegurados e nos mantenhamos coordenados em quaisquer ações tomadas”, disse.
Já o líder norte-americano alegou que o cancelamento da ida dos seus enviados se deveu a Teerã não apresentar uma proposta de acordo satisfatória e, que por sua vez não tem pressa em alcançá-lo.
Mas, Trump determinou a manutenção do bloqueio naval dos EUA aos portos do Irã que, segundo o Departamento do Tesouro, afeta 90% do comércio marítimo iraniano. O Comando Central confirmou no domingo que já impediu a passagem de 38 embarcações na zona, cujo objetivo é sufocar a economia do país por meio das suas exportações de petróleo e eliminar a sua capacidade operacional.
Entretanto, o governo de Teerã afirma que a maioria dos navios que atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos dias seguiu uma rota designada pelas autoridades iranianas, e cerca de metade fez cargas em portos iranianos. Estes dados recentes forma admitidos pela empresa de informações marítimas Kpler. A Kpler informou que 17 navios foram identificados como tendo atravessado o estreito entre sexta-feira e domingo, entre eles, quatro grandes petroleiros carregados. Dois destes petroleiros partiram de portos iranianos e outros dois dos Emirados Árabes Unidos.
O tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz nos últimos dois meses tem se mantido em cerca de 5% da média diária pré-guerra, causando escassez de produtos refinados e fertilizantes, especialmente na Ásia. O Irã garante que manterá o controle sobre o estreito, enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na semana passada que o Irã teria em breve de deixar de produzir crude por falta de armazenamento e de rotas de exportação. Enquanto isso, os meios de comunicação estatais iranianos negaram que o país não tenha capacidade de armazenamento para o seu petróleo.
Com o bloqueio de Ormuz, o preço do barril de petróleo Brent mantém a tendência de alta e subiu hoje cerca de 2,66%, chegando à média de 109,09 dólares, em decorrência da falta de avanços concretos nas negociações entre Washington e Teerã.