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Comissário da Energia da UE admite que situação energética do bloco é muito grave

Alta dos preços e dependência de combustíveis fósseis expõem vulnerabilidade do bloco

Isabel Alvarez

Publicado: 31/03/2026 às 18:57

Comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen/foto: Satish Babu/AFP via Getty Images

Comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen (foto: Satish Babu/AFP via Getty Images)

O Comissário para Energia da União Europeia, Dan Jorgensen, disse que a Comissão Europeia apresentará propostas em breve, com um pacote de medidas, para ajudar os membros do bloco a enfrentar a crise dos preços da energia. Além disso, pediu aos países para avançarem com todos os projetos que possam injetar energias renováveis na rede.

“Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços do gás na UE subiram cerca de 70% e os da eletricidade, 60%. Trinta dias de conflito já acrescentaram 14 bilhões de euros à fatura de importação de combustíveis fósseis do bloco. É evidente que estamos perante uma situação muito grave. Embora não haja escassez imediata de petróleo e gás na UE, temos observado uma limitação em certos mercados de produtos, principalmente o gasóleo e o querosene de aviação, bem como restrições crescentes nos mercados globais de gás e o seu efeito cascata nos preços da eletricidade”, declarou Jorgensen, após uma reunião com os ministros da energia da União Europeia.

O Comissário da Energia também admitiu que os preços continuarão elevados por um tempo maior do que o previsto. “Ninguém sabe quanto tempo vai durar a crise. É muito importante salientar que não será curta, porque mesmo que houvesse paz amanhã, ainda haveria consequências, uma vez que a infraestrutura energética da região foi devastada pela guerra e continua a ser destruída. Esta situação ameaça impor custos adicionais às nossas indústrias e às nossas famílias”, avisou.

Dan Jorgensen diz que a união e a coordenação são importantes para que se evitem respostas fragmentadas e sinais disruptivos para os mercados. E acrescentou que a Comissão Europeia tem medidas direcionadas e temporárias para evitar o agravamento das condições de oferta e procura, e prepara diferentes oportunidades e possibilidades semelhantes às usadas durante a crise de 2022, com a invasão russa da Ucrânia.

“Esta crise demonstra mais uma vez que a Europa enfrenta uma vulnerabilidade fundamental aos choques energéticos externos, e isto está ligado à nossa dependência dos combustíveis fósseis importados. É por isso que este deve ser o momento para finalmente aprendermos esta lição. É por isso que este deve ser o momento para finalmente invertermos a situação e nos tornarmos verdadeiramente independentes em termos energéticos. Se queremos criar condições para bons empregos para os cidadãos da UE, para a segurança econômica e para a segurança em geral, a Europa já não se pode dar ao luxo de estar exposta à volatilidade dos mercados globais de combustíveis fósseis. A independência energética é o caminho a seguir e constitui um imperativo estratégico do ponto de vista econômico e de segurança, não apenas para o clima. Eletrificação com energia limpa produzida internamente, interligações modernizadas e eficiência energética. Este é o único caminho a seguir. Façam tudo o que puderem para investir em energia renovável”, defendeu o Comissário para a Energia.

Mas, Bruxelas amenizou o tom e diz que a União Europeia por agora está preparada devido à obrigação dos membros de manterem reservas de petróleo e disporem de planos de emergência em resposta a incidentes de segurança do aprovisionamento. Os países ainda têm contribuído, em cerca de 20%, para liberar de mais de 400 milhões de barris de reservas de petróleo de emergência, ação coordenada pela Agência Internacional da Energia (AIE).

No entanto, o Comissário pediu também aos ministros de energia do bloco, para salvaguardar a disponibilidade de produtos petrolíferos no mercado da UE, que qualquer manutenção não urgente das refinarias deve ser adiada e ao mesmo tempo, aumentar o uso de biocombustíveis para ajudar a substituir os produtos petrolíferos fósseis e aliviar a pressão sobre o mercado. De acordo com Jorgensen já existem ações apresentadas que os membros podem implementar para reduzir os preços da energia para a população, como a diminuir impostos, especialmente sobre eletricidade, evitar medidas que impulsionem o consumo de combustíveis e esforços na contenção dos transportes.

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