Diplomacia da UE se reúne para tratar da segurança no Estreito de Ormuz
A Alta Representante do bloco acrescentou que o fechamento do Estreito de Ormuz é muito perigoso para o abastecimento de petróleo
Publicado: 16/03/2026 às 13:23
Estreito de Ormuz (Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images)
Nesta segunda-feira (16), a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja kallas, disse que os ministros das Relações Exteriores do bloco se reúnem para tratar da questão da segurança do Estreito de Ormuz e discutir saídas para mantê-lo aberto à navegação.
Kallas já levantou a possibilidade de buscar uma solução similar à que esteve em vigor no Mar Negro por causa dos cereais ucranianos. "Durante o fim de semana, conversei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa no estreito que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia", citou.
A Alta Representante da UE acrescentou que o fechamento do Estreito de Ormuz é muito perigoso para o abastecimento de petróleo, sobretudo para a Ásia, sendo problemático ainda para os fertilizantes. "Se houver falta de fertilizantes este ano, vai haver privação alimentar no próximo ano. Portanto, discutimos com Guterres como é que seria possível concretizar essa iniciativa”, declarou.
A iniciativa dos Cereais do Mar Negro, mediada pelas Nações Unidas e a Turquia em julho de 2022, após a assinatura de Kiev e Moscou, permitiu exportações de cereais a partir dos portos ucranianos apesar da guerra entre os dois países, antes de a parte russa suspender o acordo em julho de 2023.
O Estreito de Ormuz é uma via marítima estratégica por onde passa aproximadamente um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo, além de grandes volumes de gás natural liquefeito e fertilizantes. O Estreito se encontra bloqueado pelo Irã, onde já foram atacados vários navios petroleiros devido à guerra com os Estados Unidos e Israel que atinge a região do Oriente Médio.
Além disso, Kallas adiantou que na reunião de hoje ainda serão debatidas o mandato da missão Aspides, que visa atualmente proteger navios comerciais e mercantes na região do Mar Vermelho. “Vamos ver se os Estados-membros estão verdadeiramente disponíveis para usar esta missão. Se quisermos ter segurança na região, era mais fácil usar esta missão que já temos na região e mudá-la um pouco", disse.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou no domingo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) enfrenta um futuro muito mau se os aliados não cooperarem para reabrir o Estreito de Ormuz. "É lógico que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal lá acontece", indicou Trump em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times, apontando que a Europa e também a China são dependentes do petróleo da região.
Em reação a Trump, a chefe da diplomacia da UE respondeu: “É do nosso interesse manter o Estreito de Ormuz aberto. Por isso é que também estamos vendo o que é que podemos fazer do lado europeu. Temos estado em contato com os nossos colegas americanos”, afirmou Kallas.
A UE enfrenta uma crise de preços e admite tomar medidas direcionadas e de curto prazo, mas sem alterar o sistema energético europeu. Os ministros da Energia do bloco também analisam formas de responder aos aumentos no setor, principalmente se os preços continuarem a subir nos próximos dias. O objetivo é coordenar a reação sem modificar a decisão de descarbonização e as regras de mercado.
Enquanto isso, o aviso do líder norte-americano que pressiona por uma missão militar no Estreito de Ormuz divide opiniões dos países membros da OTAN.
Por sua vez, o Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI) também irá realizar uma sessão extraordinária nos dias 18 e 19 de março sobre as repercussões para o transporte marítimo no Estreito de Ormuz e da instabilidade na região.