Justiça dos EUA divulga arquivos do caso Epstein com alegações contra Trump
Condenado por crimes sexuais, Epstein foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque, em 2019
Publicado: 06/03/2026 às 17:57
O presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto de Jim Watson / AFP) ( AFP)
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou documentos do FBI, polícia federal norte-americana, que relatam entrevistas de 2019 com uma mulher que fez alegações não comprovadas de abuso sexual contra o presidente Donald Trump no caso do criminoso Jeffrey Epstein, que comandava uma rede de tráfico sexual. Condenado por crimes sexuais, Epstein foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque, em 2019. A investigação policial determinou como suicídio.
“Os documentos se tornaram públicos após uma revisão interna destinada a identificar materiais que não tinham sido incluídos na base de dados públicos sobre o caso Epstein. As entrevistas tinham sido anteriormente classificadas por erro, como duplicados de outros documentos”, diz o comunicado do Departamento de Justiça.
De acordo com os documentos publicados, a mulher afirmou ter sido abusada sexualmente pelo então empresário imobiliário na década de 1980, quando ainda era menor de idade. Ela contatou as autoridades depois da prisão do magnata Epstein, em julho de 2019, tendo posteriormente prestado depoimentos quatro vezes ao FBI entre julho e outubro desse ano.
Segundo os resumos que foram apresentados, a alegada vítima acusou Epstein de agressão sexual e afirmou que este a levou a Nova Iorque ou Nova Jersey quando tinha entre 13 e 15 anos, ocasião em que teria sido apresentada a Trump. Na segunda entrevista com os investigadores federais, a mulher disse que Trump teria abusado dela durante essa viagem. Entretanto, no quarto e último depoimento, realizado em outubro de 2019, ela se recusou a fornecer mais detalhes sobre o alegado episódio quando foi questionada pelos agentes federais.
Em contrapartida, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, rejeitou tais alegações, tendo classificado como totalmente infundas e sem qualquer prova. “Como já afirmamos repetidamente, o presidente Trump foi completamente exonerado com a divulgação do dossiê Epstein”, declarou.
Por sua vez, essa divulgação do Departamento de Justiça ocorreu somente depois da mídia norte-americana noticiar que os arquivos que mencionavam o nome de Trump não constavam do material inicialmente exposto pela Justiça dos EUA. Isto acabou levando os deputados democratas a pressionarem e acusarem o governo de estar acobertando-os.
O Departamento de Justiça dos EUA recentemente também anunciou a divulgação de mais de três milhões de páginas ligadas com o caso Epstein, sendo que alguns trechos forma censurados no cumprimento de uma lei aprovada pelo Congresso em novembro do ano passado.
No entanto, uma comissão do Congresso já aprovou a convocação da Procuradora-geral, Pam Bondi, para esclarecer a divulgação dos arquivos, numa data que ainda será definida.