Irã pede ao Conselho de Segurança da ONU para 'agir de imediato' após ataque dos EUA e Israel
Em uma carta dirigida à ONU, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que Estados Unidos e Israel deverão "assumir plena e totalmente as consequências de suas ações ilegais"
Publicado: 28/02/2026 às 14:07
Ataque a escola em Minab, no Irã (ALEX MITA / IRIB TV / AFP)
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pediu ao Conselho de Segurança da ONU, neste sábado (28), que aja "de imediato" após os ataques de Israel e Estados Unidos contra seu país.
Em uma carta dirigida à ONU, Araghchi afirmou que Estados Unidos e Israel deverão "assumir plena e totalmente as consequências de suas ações ilegais". Ele destacou que o Irã age "legítima defesa" e reivindicou que a comunidade internacional "condene este ato de agressão".
O Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos dispõem de poder de veto, se reunirá neste sábado às 18h de Brasília (16h em Nova York) para abordar "a situação no Oriente Médio" após a operação militar lançada por Washington e Israel contra o Irã, anunciou a ONU.
Ataque
Estados Unidos e Israel atacaram o Irã neste sábado (28) com o aparente objetivo de derrubar o regime, ao que a república islâmica respondeu com o lançamento de uma série de mísseis contra várias monarquias do Golfo, deixando a região latente.
Um ataque aéreo contra uma escola no sul do Irã matou 85 pessoas, segundo a justiça iraniana.
"O número de mártires na escola para crianças de Minab aumentou para 85", segundo o Ministério Público local, citado pelo site Mizan Online, do Judiciário.
Após o ataque, foram registradas explosões em várias cidades do Golfo, onde há bases americanas, e muitos países da região fecharam seu espaço aéreo.
A chamada operação "Fúria Épica", segundo Washington, tem como objetivo "eliminar ameaças iminentes" do Irã, afirmou o presidente americano, Donald Trump, em um discurso de sua residência em Palm Beach, na Flórida.
"A hora da sua liberdade está ao alcance da mão", disse Trump aos iranianos.
"Quando tivermos terminado, tomem o poder. Vai depender de vocês fazê-lo", afirmou em uma mensagem em vídeo semanas depois que a repressão das manifestações antigovernamentais iranianas deixou milhares de mortos, segundo várias ONG.
O mandatário republicano advertiu aos "membros da Guarda Revolucionária Islâmica, às Forças Armadas e a toda a polícia" que, se depuserem as armas, gozarão de "imunidade total", do contrário, enfrentarão "uma morte certa".
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou uma "operação" conjunta, batizada de "Rugido do Leão", contra a "ameaça existencial representada pelo regime terrorista do Irã".
O Exército israelense reconhece ter atacado "centenas de alvos militares iranianos" e mirado várias reuniões de lideranças em Teerã.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian estão entre os alvos atacados, segundo a emissora pública israelense KAN.
A agência de notícias Isna confirmou que o bairro central onde estão localizadas a residência do líder supremo e a presidência foi um dos alvos.
"Vivo"
"Que eu saiba", o aiatolá Khamenei está vivo e "todos os oficiais de alto escalão estão vivos", declarou à emissora americana NBC o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que defendeu "uma desescalada".
Em Teerã, jornalistas da AFP ouviram fortes explosões e viram colunas de fumaça no centro, no leste e no oeste da capital.
Os moradores se refugiavam em suas casas e pais, tomados pelo pânico, tentavam buscar seus filhos na escola.
Extensos engarrafamentos no centro e longas filas em frente às padarias foram registrados, em meio a um cenário de medo e nervosismo.
"Houve muito barulho", contou uma testemunha da cidade a um jornalista da AFP, antes que as comunicações e o acesso à internet fossem cortados, uma medida que as autoridades costumam adotar em períodos de maior tensão.
"Vi dois mísseis Tomahawk voando horizontalmente", disse à AFP o trabalhador de Teerã.
Em estado de medo, os habitantes da capital receberam uma mensagem de texto em seus celulares na qual o governo pedia que deixassem a cidade.
Segundo a imprensa iraniana, também houve explosões nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah, Minab, Lorestan e Tabriz, em diferentes pontos do país.
Em Israel, jornalistas da AFP ouviram explosões em Jerusalém e em várias outras regiões. O Exército israelense afirmou ter detectado disparos de mísseis procedentes do Irã.
As autoridades fecharam o espaço aéreo a voos civis.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou uma "primeira onda de ataques maciços" contra Israel. O chefe da diplomacia iraniana qualificou como "alvos legítimos" todos os locais envolvidos em operações contra o país.
Entretanto, também ressaltou em sua entrevista à NBC que os ataques lançados em represália têm como alvo as bases americanas no Golfo Pérsico, não os países onde estão localizadas.
Ao longo do dia, a Guarda Revolucionária anunciou o lançamento de várias salvas de mísseis "contra bases americanas" na região.
Jornalistas da AFP ouviram explosões em Riade e Abu Dhabi, e as bases militares dos EUA em Manama e Doha foram alvo de ataques.
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) e o Catar afirmaram ter repelido ataques contra seu território, e a Jordânia declarou ter derrubado dois mísseis balísticos lançados contra o reino. Os EAU registram ao menos um morto na capital.
No Iraque, um bombardeio contra a base militar de Jurf al Sakhar (sul), que abriga um grupo pró-Irã, matou pelo menos dois combatentes, segundo fontes próximas ao grupo armado Kataeb Hezbollah.
No sul da Síria, a queda de um míssil iraniano deixou quatro mortos, segundo Damasco.