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ORIENTE MÉDIO

Investigação sobre ataques de Israel em Gaza revela bombas proibidas que pulverizam os corpos

A Anistia Internacional também já havia documentado e acusado as autoridades israelenses do uso de algumas destas armas no enclave palestino

Isabel Alvarez

Publicado: 11/02/2026 às 17:33

Gaza/AFP

Gaza (AFP)

De acordo com as conclusões de uma investigação da rede de notícias internacional Al Jazeera, mais de 2.800 corpos de palestinos foram "evaporados" na Faixa de Gaza. A denúncia da mídia foi publicada hoje e indica o alegado uso de armas térmicas e de vácuo de alto impacto, proibidas mundialmente, por parte das forças de Israel nos ataques ao enclave durante o conflito. “Elas são capazes de gerar temperaturas superiores a 3500 graus Celsius que provoca uma pressão capaz de levar à evaporação de fluídos corporais”, esclarece o texto.

A investigação da Al Jazeera Arabic, intitulada ‘O Resto da História’, revela que a equipe da Defesa Civil em Gaza documentou o desaparecimento de 2842 palestinos desde o início da guerra em outubro de 2023. “Os únicos vestígios destes corpos foram gotículas de sangue ou pequenos fragmentos de carne”, diz a reportagem.

Segundo a investigação, este fenômeno corresponde ao uso de armas proibidas internacionalmente, que são também chamadas de bombas de vácuo ou de aerossol.


Esse aumento excepcional da temperatura que elas provocam se deve ao tritonal, uma substância explosiva composta por 80% de TNT e 20% de pó de alumínio usada em bombas MK-84, utilizadas por Israel em diversos ataques a Gaza. Outras bombas incluem a BLU-109, usado num ataque em Al-Mawasi, designada como zona segura, mas que sofreu diversos ataques militares. Em setembro de 2024, um bombadeio no local “evaporou” 22 pessoas.

O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Basal, declarou à Al Jazeera que chegaram ao número total de desaparecidos (2842 pessoas) através do cruzamento entre o número de pessoas por casa e os corpos recuperados. “Se uma família nos diz que havia cinco pessoas dentro da casa e só recuperamos três corpos intactos, consideramos os dois restantes como 'evaporados' somente após uma busca exaustiva que não revela nada além de vestígios biológicos, como gotículas de sangue nas paredes ou pequenos fragmentos como couro cabeludo”, disse.

Dentre os inúmeros depoimentos coletados, há o relato do caso de um pai que perdeu quatro filhos e que somente encontrou “areia preta” dos restos mortais espalhados após um bombardeio em Gaza.

A Anistia Internacional também já havia documentado e acusado as autoridades israelenses do uso de algumas destas armas no enclave palestino. Israel, por sua vez, sempre negou as acusações.

O ex-inspetor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yusri Abu Shadi, explicou ainda que a combinação de calor extremo e alta pressão podem causar a destruição de células humanas, algo similar usado pelo exército dos Estados Unidos no Iraque, durante as ofensivas de Fallujah, em 2004, que usaram fósforo branco contra civis.

“Este tipo de arma oblitera a matéria, porque dispersam uma nuvem de combustível que se inflama, criando uma enorme bola de fogo e um efeito de vácuo. Para prolongar o tempo de combustão, são adicionados pós de alumínio, magnésio e titânio à mistura química, o que eleva a temperatura da explosão para entre 2500 e 3000 graus Celsius”, completou o especialista militar Vasily Fatigarov.

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