Fronteira entre Gaza e o Egito reabre oficialmente sob controle de Israel e supervisão da UE
Abertura ocorreu em conformidade com as exigências das Nações Unidas e de diversas organizações humanitárias
Publicado: 02/02/2026 às 18:00
A passagem de Rafah ( AFP)
Após um experimento inicial realizado no domingo, as autoridades de Israel iniciaram hoje a reabertura oficial da fronteira que liga a Faixa de Gaza ao Egito. A passagem de Rafah, no sul do enclave, foi aberta para cidadãos palestinos, em conformidade com as exigências das Nações Unidas e de diversas organizações humanitárias.
No entanto, a decisão de reabri-la só foi tomada após a chegada a Gaza de uma missão de vigilância da União Europeia, que será responsável por supervisionar a passagem de palestinos. A reabertura total da passagem de Rafah, por sua vez, também já estava prevista no plano de paz do presidente dos Estados Unidos no acordo do término do conflito.
Já o corredor será totalmente controlado pelo exército israelense, sendo desconhecidas ainda todas as condições de circulação. Mas, segundo a mídia internacional, somente 50 pessoas poderão atravessar a fronteira, em cada sentido, durante as seis horas diárias em que estará aberta, mediante uma autorização prévia de segurança. Além disso, o caminho inverso, para palestinos retidos no estrangeiro desde 2024, também está sob controle e vigilância das autoridades israelenses, que só autorizam o regresso aos cidadãos com uma quantidade limitada de bagagem e medicamentos.
Entretanto, por enquanto a fronteira deverá permanecer fechada para a entrada de ajuda internacional e bens comerciais no território palestino. O apoio humanitário permitido por Tel Avi a chegar a Gaza irá continuar pela passagem de Kerem Shalom, localizada a poucos quilômetros da cidade de Rafah.
“A entrada e a saída da Faixa de Gaza pela passagem de Rafah serão permitidas em coordenação com o Egito. Após prévia verificação de segurança dos indivíduos por Israel e sob a supervisão da missão da União Europeia, de forma semelhante ao mecanismo implementado em janeiro de 2025. Mas, aqueles que deixaram Gaza durante o conflito poderão regressar somente após autorização prévia de segurança por Israel, com a identificação e triagem de pessoas que será feita pela missão da União Europeia e pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), realizado num corredor designado”, disse o recente comunicado divulgado pela Coordenação das Atividades do Governo nos Territórios (COGAT), unidade do Ministério israelense da Defesa que opera nos territórios palestinos ocupados.
A passagem de Rafah era uma das únicas vias que conectava o enclave ao mundo exterior, através da passagem de ajuda humanitária, mas que foi totalmente bloqueada desde maio de 2024, com a exceção de janeiro de 2025. Apesar das inúmeras criticas da comunidade internacional devido a catástrofe humanitária na região, o bloqueio da passagem era justificado pelo governo de Israel pelo alegado uso para contrabando de armas para o Hamas.
Com a abertura, agora a passagem é considerada a primeira possibilidade para que todos os doentes e feridos palestinos possam buscar e receber cuidados médicos no estrangeiro, sendo que muitos já até aguardavam a permissão desde domingo. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, aproximadamente 20 mil vítimas da guerra já se inscreveram na Organização Mundial da Saúde (OMS) para receberem tratamentos médicos. As autoridades egípcias também informaram que deram inicio a um plano especial com 150 hospitais e cerca de 300 ambulâncias disponíveis para o tratamento de feridos e doentes palestinos que chegam ao país a partir desta segunda-feira (02).
O ministro egípcio da Saúde, Jaled Abdelghafar, acrescentou que do outro lado da fronteira foi ainda criada uma sala de controle central que opera 24 horas por dia e está em contato constante com 27 salas de emergência e mais de 90 postos médicos e hospitais, para garantir a preparação de qualquer urgência.