Chefe da OTAN diz que a Europa não consegue se defender sem os EUA
Os países que integram a Aliança Atlântica se comprometeram em destinar pelo menos 5% do seu PIB para gastos com segurança até 2035, incluindo 3,5% para despesas estritamente militares.
Publicado: 26/01/2026 às 20:32
Secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte (JOHN THYS / AFP)
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, afirmou hoje no Parlamento Europeu, em Bruxelas, que a Europa não consegue se defender sozinha sem os Estados Unidos.
“Se alguém aqui acha que a União Europeia, ou a Europa, conseguiria se defender sem os Estados Unidos…Continuem a sonhar. Não conseguem. Não conseguimos. Precisamos uns dos outros. A Europa não pode se defender sozinha, sem a ajuda dos Estados Unidos, e precisaria do guarda-chuva nuclear norte-americano”, disse Rutte.
Para estabelecer uma Defesa autônoma no bloco, Rutte ainda considera que seria necessário o dobro do investimento do PIB por membro. “Se quiserem realmente avançar sozinhos, esqueçam, porque nunca chegarão lá com 5% do PIB destinado a Defesa. Seriam necessários 10%. Teriam de desenvolver as suas próprias capacidades nucleares. Isso custa milhões de euros. E, nesse cenário, vocês perderiam a principal garantia da nossa liberdade, ou seja, a proteção nuclear norte-americana. Então, boa sorte”, avisou.
Entretanto, o chefe da aliança militar destacou que os EUA também precisam da OTAN, assinalando que o fato de terem ignorado a Europa após a Primeira Guerra Mundial foi um erro, que os levou a terem de se envolver na Segunda Guerra Mundial.
“E o Ártico também é prova disso. Eles precisam de segurança no Ártico, na região do Euro-atlântico e na Europa. Por isso, os EUA têm tanto interesse na OTAN como o Canadá ou os aliados Europeus. Haverá sempre uma presença convencional muito forte dos EUA na Europa”, acrescentou.
A França e a Alemanha são os países mais favoráveis a essa autonomia estratégica na Europa, porém outras nações, especialmente aquelas mais próximas geograficamente da Rússia, são mais cautelosas, por causa da sua dependência de sistemas de armas norte-americanos.
O presidente dos EUA, Donald Tump, e o secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, já alertaram que os aliados europeus precisam agora depender mais das próprias forças armadas para garantir a segurança do continente.
Os países que integram a Aliança Atlântica se comprometeram em destinar pelo menos 5% do seu PIB para gastos com segurança até 2035, incluindo 3,5% para despesas estritamente militares. Tal valor representa um compromisso considerável para muitos países, que mal atingiram 2% do seu PIB até o final de 2025, conforme um compromisso assumido a uma década atrás. “Ao se comprometerem com um investimento em Defesa de 5% do PIB, os aliados tiraram a pedra no sapato que havia nas relações com Washington. Por isso há um compromisso total dos EUA com a OTAN e com o 5º artigo”, apontou o secretário-geral, em referência a as dúvidas sobre a adoção dos EUA ao princípio da defesa coletiva.
Além disso, ao ser questionado pelos eurodeputados sobre o acordo com Tump, em Davos à margem do Fórum Econômico Mundial, a respeito da Groenlândia e que reforçará a presença da Aliança no Ártico, Rutte explicou que na reunião se chegou a um acordo relativo a dois eixos de trabalho sobre o território autônomo dinamarquês. “O primeiro é que a OTAN irá, coletivamente, assumir mais responsabilidades na defesa do Ártico. Um dos pontos centrais é ver como é que, coletivamente, podemos impedir que os russos e os chineses tenham mais acesso ao Ártico, incluindo impedir que eles tenham acesso militar e econômico à região. A Aliança Atlântica estará claramente no comando, eu mesmo estarei diretamente envolvido e vou perceber como é que a Aliança pode defender coletivamente o Ártico”, enfatizou.
O chefe da aliança militar frisou que é necessário garantir que o diálogo sobre a Groenlândia, que teve inicio há cerca de duas semanas entre os chefes da diplomacia da Dinamarca, Groenlândia e EUA, se mantenha. “Agora cabe aos dinamarqueses, groenlandeses e americanos fazê-lo. Eu não estarei envolvido nesse eixo de trabalho, concluiu.
Recentemente Trump disse que os EUA nunca precisaram da OTAN. Mas, após os atentados de 11 de setembro, os EUA foram até agora o único país da aliança a recorrer ao artigo 5º do tratado, que determina que o ataque a um membro é um ataque a todos. Os aliados na ocasião responderam se juntando à missão militar liderada pelos norte-americanos no Afeganistão.