° / °
Mundo
PRESIDENTE DOS EUA

Trump traça esquema protetor do petróleo para a Venezuela e tenta engajar multinacionais

O presidente americano garantiu que os EUA decidirão quais empresas petrolíferas poderão operar na Venezuela

AFP

Publicado: 09/01/2026 às 21:40

Donald Trump, presidente dos EUA/ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Donald Trump, presidente dos EUA (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

A Venezuela enfrenta um futuro petrolífero sob estrita tutela, segundo os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recebeu nesta sexta-feira (9) cerca de vinte empresas internacionais na Casa Branca para tentar engajá-las nessa espécie de proteção energética.

A resposta dos dirigentes da indústria, alguns deles já apresentados na Venezuela há décadas, foi cautelosa, à espera de que se esclareça a situação política e, sobretudo, o marco legal para seus investimentos.

Os Estados Unidos decidirão quais empresas petrolíferas poderão operar na Venezuela e atuarão como intermediários entre elas e o governo, garantiu Trump.

“Vamos tomar uma decisão sobre quais petrolíferas vão entrar [na Venezuela]”, disse.

“Vocês estão negociando diretamente conosco, não estão negociando com a Venezuela de forma alguma, não queremos que negociem com a Venezuela”, anunciou o presidente republicano.


Cinco navios apalpados

Após a saída do país do presidente deposto Nicolás Maduro, agora em Nova York à espera de julgamento, o governo americano detalhou os primeiros passos.

O setor venezuelano, já prejudicado pela má gestão anterior, foi submetido a avaliações em 2019 e rapidamente migrou para o mundo opaco do contrabando internacional, com navios fantasmas que carregavam petróleo com destino a países como a China, com descontos.

Para forçar o governo, Washington utilizou seu desdobramento antidrogas naval, já presente no Caribe, o maior em décadas.

Em menos de um mês, cinco navios-tanque foram apreendidos, um deles ao largo da Islândia, no Atlântico Norte.

Nesta sexta-feira, as autoridades se apoderaram do Olina, carregado de petróleo, e a Guarda Costeira dos Estados Unidos, com apoio da Marinha, está à caça de outros navios.

O Olina retornará à Venezuela e seu petróleo será vendido legalmente, sob supervisão de Washington, garantiu Trump.

O plano havia sido detalhado dias antes pelo Departamento de Energia: vender todo o petróleo pelas vias normais, depositar o dinheiro em contas de bancos internacionais domiciliados nos Estados Unidos e, depois, repartir os recursos de forma equitativa entre as partes interessadas.

Mas o marco legal venezuelano é o que foi instaurado pelo "socialismo bolivariano" do então presidente Hugo Chávez (1999–2013).

E os antecedentes históricos remontam a 1976, quando o país nacionalizou os recursos naturais.

“Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então dá para imaginar que voltar pela terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, disse Trump o diretor-executivo da ExxonMobil, Darren Woods.

Trump disse a outro dirigente, Ryan Lance, da Conoco, quanto dinheiro perdeu quando deixou o país: “12 bilhões [de dólares]”, respondeu.

Lance parabenizou Trump por ter "tirado uma pessoa terrível", em alusão a Maduro.


Uma "agressão criminosa"

A cooperação com o atual governo de Rodríguez está sendo "excelente", assegurou pouco depois o secretário de Energia, Chris Wright, um jornalista.

“Nunca vi um país em que as condições e as relações mudaram tão rapidamente”, acrescentou.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reafirmou nesta sexta-feira que seu país vive “uma grave agressão criminosa, ilegal e ilegítima”, embora tenha garantido que buscará uma solução pela “via diplomática”.

Trump pretende difundir a ideia de que transformará a Venezuela "em uma espécie de protetorado petrolífero ou colônia de hidrocarbonetos dos Estados Unidos. Bem, esses tempos ficaram muito, muito, muito para trás", disse à AFP Rafael Quiroz, especialista venezuelano em petróleo.

Além dos desafios legais e políticos, há questões de segurança e econômicas.

"Vocês têm total segurança. Uma das razões pelas quais não podem trabalhar [na Venezuela] é que não tinham garantias. Mas agora têm segurança total", enfatizou Trump.

Os investimentos para reconstruir um setor muito afetado por avaliações e má gestão são elevados.

Trump havia dito ao anunciar em uma reunião que os dirigentes pretendiam investir 100 bilhões de dólares, cifra que não foi mencionada durante o encontro.

O tom dos empresários foi diplomático.

“Estamos prontos para investir mais na Venezuela”, disse Josu Jon Imaz, da espanhola Repsol, já presente no país.

“Estamos prontos”, respondeu Wael Sawan, da Shell.

Mais de Mundo

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas